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segunda-feira, 6 de junho de 2011

Um trio do barulho: Bowie, Pop e Reed

Eu queria ser o carta que tá atrás dessa foto aí, ele parece estar se divertindo. Afinal, tá junto de três dos caras mais insanamente fodas que a música viu nestas últimas quatro décadas. Tudo desde então dentro do espectro do rock and roll levado à sério (no bom sentido) deve muito a David Bowie, Iggy Pop e Lou Reed. Esse trio deve ter feito umas baladas bem sem noção durante a década de 70, enquanto produziam seus melhores e mais experimentais trabalhos, que deram o tom dark/glam dos anos pós-hippies, e destoaram da papagaiada progressiva/grandiloquente que dominava o rock na época. 

Os três trabalharam juntos muitas vezes, principalmente Bowie e Iggy na lendária BERLIN ERA, onde os dois jovens mandaram ver na HEROÍNA e no EXPERIMENTALISMO. Desta época são os revolucionários The Idiot, do ex-Stooge, e Low, do ex-Ziggy Stardust. Ambos são de 1977, com o punk já como uma realidade, mas tem no experimentalismo proto-eletrônico e melodias dissonantes sua característica principal . 

O Berlin de Lou Reed veio um pouco antes, em 1973, afinal ele é um pouco mais velho e desbravou território antes do inglês Bowie e do nativo de MICHIGAN Iggy. Mas a ópera rock sobre um casal drogado é meio mala na real, então fiquei com o FUNDAMENTAL 'Transformer', feito um ano antes. Vamos ver se esse post terá problemas com o pessoal das GRAVADORAS!

Lou Reed - Transformer (1972)

O que dizer de 'Transformer'? Segundo disco solo de Reed pós Velvet Underground (primeiro só com material pós Velvet), tem só 'Walk on the Wild Side', além de abrir com 'Vicious e ter 'Sattelite of Love', 'Perfect Day' e outras pepitas. A situação tensa de Nova York no início dos anos 70, com drogas e putaria pesada, e as referências aos travecos, fizeram desse disco um marco. Foi produzido por um Bowie em plena fase andrógina Ziggy Stardust, e pelo guitarrista Mick Ronson, dos Spiders from Mars. 

Lado A: 
01 - Vicious 
02 - Andy's Chest
03 - Perfect Day
04 - Hanging Around 
05 - Walk on the Wild Side

Lado B:
06 - Make Up
07 - Satellite of Love
08 - Wagon Wheel
09 - New York Telephone Conversation
10 - I Am So Free
11 - Goodnight Ladies


Iggy Pop - The Idiot (1977)


Em 1976 a IGUANA Iggy Pop estava tentando sair do vício pesado e se instalou em Berlin. Os Stooges já eram, e o amigo David Bowie também estava instalado na cidade alemã (numa época com o Muro de Berlin lá e uma cena musical/cultural MUTHOLOCA que envolvia o experimentalismo eletrônico de Neu, Can e Kraftwerk). Bowie então produziu esse álbum emblemático de Iggy, experimental na veia, com uma mistura from hell de Kraftwerk e James Brown (!!!) em faixas como 'Nightclubbing' e a clássica 'China Girl', composta por Bowie. 

Lado A: 
01 - Sister Midnight
02 - Nightclubbing 
03 - Funtime
04 - Baby
05 - China Girl

Lado B:
06 - Dum Dum Boys
07 - Tiny Girls
08 - Mass Production 


David Bowie - Low (1977)


O terceiro elemento dessa fase experimental e ambient de Iggy e Bowie foi o grande BRIAN ENO, que colaborou com Bowie e Tony Visconti na produção essa obra prima que dá início à 'Trilogia de Berlin' do nosso CAMALEÃO. O sintetizador de Eno é fundamental nas faixas climáticas e densas de 'Low' separado em um lado A com canções mais convencionais e o lado B com temas instrumentais e viajeira forte. A faixa mais conhecida 'Sound and Vision', cria o clima mas não o resolve, mostrando que a estrutura de 'Low' não é nada fácil de assimilar. Mas se você mergulhar fundo na depressão gélida e viciada de Bowie naqueles tempos de Berlin, a viagem é garantida.

Lado A:
01 - Speed of Life
02 - Braking Glass
03 - What in the World
04 - Sound and Vision
05 - Always Crashing in the Same Car
06 - Be My Wife
07 - A New Career in a New Town

Lado B
08 - Warszawa
09 - Art Decade
10 - Sleeping Wall
11 - Subterranean

Ouveaê!

terça-feira, 29 de março de 2011

The Stone Roses - The Stone Roses (1989)


Voltando à fusão do indie rock com a eletrônica dançante que atingiu o ápice com o Screamadelica do Primal Scream em 1991, outro disco fundamental da tendência de juntar os roqueiros com os ravers na Inglaterra entre o final dos anos 80 e início dos 90 foi esse disco de estreia do grande Stone Roses. O grupo de Ian Brown, John Squire, Mani e Remi, oriundos da gloriosa MANCHESTER, inventou o que depois veio a se tornar o BRITPOP com os vocais preguiçosos, quase arrogantes, a guitarreira COOL e o ritmo hipnótico, influenciado pela dance music, do baixo de Mani e a guitarra de Remi.

Amigos de infância, Brown e Squire tiveram várias bandas quando moleques em Manchester, e formaram o Stone Roses em 1984. Nos próximos cinco anos eles labutaram no underground da cidade, e as influências roqueiras (Rolling Stones principalmente) do início foram se mesclando à influência da cena rave/acid house que florescia na Inglaterra na época, e às guitarras distorcidas de Jesus and Mary Chain e do Primal Scream do começo. O resultado foi o disco de estreia, uma obra-prima que começa com a climática 'I Wanna Be Adored', segue com a deliciosa 'She Bangs the Drums' e a não menos delícia 'Waterfall'. O resto segue a toada, com destaques para 'Made of Stone' e a catarse final com I am the Ressurrection'.

O disco foi devidamente incensado por público e crítica na Inglaterra e por descolados de todo o mundo, mas a consagração acabou sendo um tiro pela culatra para a banda, que acabou sendo um dos maiores exemplos da 'síndrome do segundo disco', junto com o My Bloody Valentine. Eles demoraram cinco anos para lançar o decepcionante 'Second Coming', em 1994, que tinha a ótima 'LoveSpreads' e só. Mani deixou a banda em 1995 e Squire no ano seguinte. Não houve um terceiro disco e a banda acabou oficialmente em 1996. A essa altura o britpop já havia explodido, com a guerra entre Oasis e Blur, que devem muito ao caminho aberto pelos Stone Roses.

The Stone Roses - The Stone Roses (1989)


01 - I Wanna Be Adored
02 - She Bangs the Drums
03 - Waterfall
04 - Don't Stop
05 - Bye Bye Badman
06 - Elizabeth My Dear
07 - (Song For) My Sugar Spun Sister
08 - Made of Stone
09 - Shoot You Down
10 - This is the One
11 - I am the Resurrection

Ouveaê!
(senha: hemissroad)

domingo, 30 de maio de 2010

Tributo a Dennis Hopper - Easy Rider Orignal Soundtrack (1969)

Neste sábado (29 de maio de 2010), morreu, por complicações de um câncer de próstata, o ator e cineasta Dennis Hopper, que embora os mais jovens conheçam mais por papéis de vilão em filmes como Velocidade Máxima e Waterworld, um dia foi o símbolo da geração que, guiada pelos ideais hippies de sexo, drogas e rock and roll, revolucionou o cinema norte-americano a partir do final dos anos 60. (ufa, que frase longa).
O ano era 1969, e a geração hippie já havia revolucionado a política, os costumes, a música e as artes plásticas, mas em Hollywood eles ainda eram vistos como chapados abobados. Hopper, junto com os amigos Peter Fonda e Jack Nicholson, ajudados pelo mago dos filmes B Roger Corman, estavam tentando mudar isso. Após terem feito em parceria os psicodélicos, mas ainda pouco transgressores The Trip, Psych-out e Head, o trio se juntou para contar a história de dois motoqueiros hippies que, após se derem bem com uma venda de cocaína, pegam suas Harleys depenadas e caem na estrada, em busca do sonho de liberdade e do mito norte-americano que a liberdade se encontra pegando a estrada numa moto possante. Hopper dirigiu o filme e co-estrela, como Billy, ao lado de Peter Fonda, o Capitain America, e Jack Nicholson, o advogado alcoólatra e quadrado que eles encontram no caminho e pega carona na viagem, até o antológico e tristíssimo final.
Pois bem, quando Billy e Capitain America pegam a estrada uma música começa a tocar. A porrada guitarreira rock and roll do Steppenwolf que virou um dos maiores clássicos do rock: Born to be Wild. O restante da trilha sonora é uma coleção de pedradas rock que evocam o clima do filme, que mudou para sempre a indústria do cinema ao se tornar um grande sucesso de público e crítica rodado no  underground, fora dos grandes estúdios. Diz a lenda que Hopper havia pensado em encomendar uma trilha original para o Crosby Stills Nash and Young, mas enquanto filmava, se deu conta que as músicas que ele ouvia na época tinham tudo a ver com o clima do filme. Além do Steppenwolf, que também colabora com a viajante e sensacional 'The Pusher', músicas de Jimmi Hendrix Experience, The Byrds e outras menos conhecidas mas também ótimas bandas, como Fraternity of Man, Electric Prunes e Holy Modal Rounders se encarregam de montar o pano de fundo musical para a aventura dos motoqueiros hippies.
Como é muito bem explicado no livro Easy Riders, Raging Bulls - Como a geração sexo drogas e rock and roll salvou Hollywood, de Peter Biskind, Easy Rider - Sem Destino foi o início da Hollywood que conhecemos hoje, abrindo caminho para Martin Scorcese e Francis Ford Coppola, a face mais séria da geração, e também para George Lucas e Steven Spielberg, que criaram o moderno blockbuster. Hopper fez personagens antológicos em Apocalypse Now, o épico de Coppola sobre a Guerra do Vietnã, e em Blue Velvet, obra-prima de David Lynch. Considerado a figura mais maluca de Hollywood, ele largou as drogas e o goró em meados dos anos 80 e apareceu em mais dezenas de filmes, alguns horríveis, dizendo que tinha uma política de nunca recusar um papel. 


como aqui é um blog de música, fica a homenagem ao grande Dennis Hopper em forma da trilha original de Easy Rider

Easy Rider Orignal Soundtrack (1969)

01. The Pusher - Steppenwolf
02. Born To Be Wild - Steppenwolf
03. The Weight - Smith
04. Wasn't Born To Follow - The Byrds
05. If You Want To Be A Bird - The Holy Modal Rounders
06. Don't Bogart Me (AKA Don't Bogart That Joint) - Fraternity Of Man
07. If Six Was Nine - The Jimi Hendrix Experience
08. Kyrie Eleison/Mardi Gras (When The Saints) - The Electric Prunes
09. It's Alright Ma (I'm Only Bleeding) - Roger McGuinn
10. Ballad Of Easy Rider - Roger McGuinn
 

Mas como vocês também tem que ver o file Easy Rider, vai o link pro torrent do dito

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Built to Spill - Keep it Like a Secret (1999)




Ainda na pegada 90s, uma banda que sintetiza década inteira. Muito lo-fi, grunge, indie e guitarreira alta.

Built to Spill - Keep it Like a Secret (1999)

01 - The Plan
02 - Center of the Universe
03 - Carry the Zero
04 - Sidewalk
05 - Bad Light
06 - Time Trap
07 - Else
08 - You Were Right
09 - Temporarily Blind
10 - Broken Chairs

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Television - Marquee Moon (1977)

O clássico desta segunda-feira é outro que parte dos princípios punks mas não se prende nos bons e velhos três acordes. O Television é uma banda novaiorquina, o primeiro grupo Punk a se apresentar no famoso CBGB's, que até então só apresentava grupos de blues e country (sim, antes até dos contemporâneos Ramones). Formado pela dupla de guitarristas Tom Verlaine (também vocalista) e Richard Lloyd, que, exímios no instrumento, estão a anos luz do guitarrista punk típico. Verlaine e Lloyd conversam através dos acordes. Completavam o Television o baixista Fred Smith e o baterista Billy Fucca.

Herdeiros legítimos do Velvet Underground, estes art-funks fizeram músicas tensas, com referências intelectuais e poesia urbana pra ninguém botar defeito, tudo epitomizado na épica faixa título, que tem um dos mais memoráveis solos de guitarra da história do rock. Além desta, faixas como Venus, See No Evil e Friction também são puro deleite. No começo da primeira faixa, See No Evil, Tom entrega o ouro: What I want, I want now! and it's a whole lot more than 'anyhow'. I want to fly, fly a fountainI want to jumpjumpjumpjump a mountain! Yeah!

Television - Marquee Moon (1977)

01 - See No Evil
02 - Venus
03 - Friction
04 - Marquee Moon
05 - Elevation
06 - Guide Light
07 - Prove It
08 - Torn Curtain