Na escola onde estudei não tinha aula de música (na verdade tinha uns manés que tocavam flauta doce, melhor dizer que não tinha aula de música que a galera tivesse vontade de fazer). Ao entrar em contato com músicos lá da Escola de Pirações e Artes e mergulhar nesse mundo (embora confesso envergonhado que não sei tocar nenhum instrumento propriamente dito), vi o quanto isso me fez falta. Não digo que todo moleque vai ter talento e força de vontade para ir nesse caminho sem volta de ritmos, melodias e harmonias, mas o aspecto didático da música e sua força para extrair a parte positiva da energia que emana de crianças e adolescentes é inegável. Aqui no Braza projeto de aulas de músicas nas escolas ainda engatinha, mas lá na gringolândia o negócio é mais tradicional. A maioria fica naquele esquema coral e fanfarra pra animar os jogos de futebol americano, mas a riquíssima tradição da música negra americana faz surgir coisas maravilhosas como essa Kashmere Stage Band.
Hoje os corais tipo GLEE são febre, mas lá nos anos 60 as tradicionais stage bands, big bands estudantis das High School americanas também tinham seus concursos regionais e nacionais. A Kashmere High School, localizada num subúrbio negro de Houston, Texas, tinha muito material humanos de garotos e garotas de cabelos black power e que estavam pirando no insano funk psicodélico da época, de carinhas como Sly Stone e George Clinton e seu funkadelic, além das pirações fusion de Miles Davis e Herbie Hancock. E tinham o professor certo: Conrad O. Johnson, apelidado apenas de "Prof". Músico tarimbado que já tocara com Count Basie, Prof. nunca deixou de ouvir a evolução da música negra, e naquele momento a funkeira nervosa era o que os moleques ouvirm, então deixou que eles a tocassem. Mas com uma condição: eles tinham que se tornar a melhor Stage Band do país, indiscutivelmente.
Parece enredo daqueles filmes de superação do grupo de garotos largados que com um professor inspirador (que pode ser interpretado por Samuel L. Jackson, Denzel Washington ou Morgan Freeman dependendo da idade), mas é real, e virou um documentário que parece ser bem legal, saca só o trailer.
Os shows da Kashmere Stage Band eram lendários, e eles gravaram altos sons, que so foram lançados recentemente, reunidos no álbum duplo Texas Thunder Soul (1968-1974), mesmo nome do documentário. No filme, aliás, os membros da big band se reúnem, e eles resolveram continuar tocando, depois de tantos anos!
enquanto algum ser iluminado não traz os agora tiozões do jazz-funk ao Brasil, ouve ae o Texas Thunder Soul. Inclui temas próprios e versões cabulosas de clássicos como Take Five e o tema de Shaft. Link respeitosamente puxado do grande SaravaClub*
Kashmere Stage Band - Texas Thunder Soul (1968-1974)
Disco 1
01 - Boss City
02 - Burning Spear
03 - Take Five
04 - Super Bad
05 - Keep Doing It
06 - Thunder Soul
07 - Do You Dig It, Man?
08 - Headwiggle
09 - Al's Thing
10 - Do Your Thing
11 - Scorpio
12 - All Praises
13 - Shaft
14 - Kashmere
15 - $$ Kash Register $$
16 - Zero Point Pt. 1 & Pt. 2 (45 Version)
17 - Getting It Out Of My System
Ouveaê!
Disco 2
01 - Intro
02 - Zero Point
03 - All Praises/Zero Point (Reprise)
04 - Intro
05 - Do You Dig It, Man?
06 - Don't Mean a Thing
07 - Thank You
08 - Ain't No Sunshine
09 - Do You Dig It, Man?
10 - All Praises (Live)
11 - Thank You (45 Version)
12 - Zero Point (LP Version)
13 - Do Your Thing (Instrumental)
14 - Getting It Out of My System
Ouveaê!
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terça-feira, 6 de dezembro de 2011
sexta-feira, 18 de março de 2011
Les McCann & Eddie Harris - Swiss Movement - Live at Montraux Jazz Festival (1969)
Em 1969 o pianista Les McCann e seu trio se juntaram ao grande sax tenor de Eddie Harris para uma apresentação no festival de jazz de Montreaux, na Suíça. E a MÁGICA aconteceu. A primeira música, Compared to What, de Gene McDaniels, se tornou um clássico instantâneo e hino do movimento pelos direitos civis, contra a guerra do Vietnã e dos jovens negros americanos dos anos 60. O resto da apresentação segue na pegada do jazz funk delícia, alegria pura, com destaque para Cold Duck Time. Lançado pela gravadora Atlantic, Swiss Movement foi um sucesso, o maior da carreira de McCann, mas hoje em dia não é tão fácil de achar. Mas o compañero Danielito Grilli achou um link em excelente qualidade e eu jogo aqui pra alegria geral da nação. Antes, um aperitivo, o vídeo de Compared to What.
e o prato principal...
Les McCann & Eddie Harris - Swiss Movement - Live at Montraux Jazz Festival (1969)
01 - Compared to What
02 - Cold Duck Time
03 - Kathleen's Theme
04 - You Got It In Your Soulness
05 - The Generation Gap
Ouveaê!
quarta-feira, 7 de outubro de 2009
João Donato - A Bad Donato (1970)

Esse pianista acreano (sim, eles existem!) esteve na primeira onda da Bossa Nova, ao lado de João Gilberto e Tom Jobim. Com o sucesso mundial da bossa, mudou-se para os Estados Unidos. Em 1970, influenciado por Jimi Hendrix, James Brown e pela psicodelia reinante na Califórnia, fez ao lado de músicos da pesada como o flautista Bud Shank, o saxofonista Ernie Watts e o baterista Dom Um Romão esse discaço, que já animou muitas noitadas vamoaêzisticas, muitas vezes por cortesia do Brunoise, grande apreciador da obra. Jazz-funk-bossa psicodélico pra ninguém botar defeito! Detalhe curioso que adiciona psicodelia à obra: todos os instrumentos foram gravados em dobro!
João Donato - A Bad Donato (1970)
1 – The Frog
2 – Celestial Showers
3 – Bambu
4 – Lunar Tune
5 – Cadê Jodel? (The Beautiful One)
6 - Debutante’s Ball
7 – Straight Jacket
8 – Mosquito (Fly)
9 – Almas Irmãs
10 – Malandro
Ouveaê!
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