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sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
Moacir Santos - Coisas (1965)
Na semana em que enquadraram o Megaupload e a revolta popular acabou com o SOPA convém lembrar por que fazemos isso, porque compartilhamos arquivos de produtos artísticos e culturais, de graça, aqui nessa interwebs. Porque nós gostamos pra caralho disso, porque a arte é a mais elevada das atividades humanas e deve ser levada ao maior número de pessoas possível, porque o sistema de distribuição da antiga indústria cultural era falho e injusto.
Um exemplo, essa obra-prima da música brasileira do maestro Moacir Santos ficou décadas fora de catálogo e quase impossível de ser desfrutada graças à incompetência da Universal Music Group. O blog Instrumental BR conta essa história, em texto de Ruy Castro, mas como estou na correria vou só jogar o link (no glorioso Mediafire) desta pepita que é o ápice do que se convencionou chamar de samba-jazz, que foi menos ouvido do que deveria na época, o que ajudou a acabar com a era de ouro da música instrumental no Brasil e que, graças à internet e blogs como este humilde aqui, chegou a um grande número de pessoas, que puderam se deliciar com as coisas do seu Moacir. Ouveaê e não pare de ouvir música boa, caçando obras primas e compartilhando seus achados com os amigos! O livre fluxo de informações via bits e bytes nesta rede nunca vai parar!
Moacir Santos - Coisas (1965)
01 - Coisa No. 4
02 - Coisa No.10
03 - Coisa No. 5
04 - Coisa No. 3
05 - Coisa No. 2
06 - Coisa No. 9
07 - Coisa No. 6
08 - Coisa No.7
09 - Coisa No.1
10 - Coisa No.8
Ouveaê!
segunda-feira, 6 de junho de 2011
Um trio do barulho: Bowie, Pop e Reed
Eu queria ser o carta que tá atrás dessa foto aí, ele parece estar se divertindo. Afinal, tá junto de três dos caras mais insanamente fodas que a música viu nestas últimas quatro décadas. Tudo desde então dentro do espectro do rock and roll levado à sério (no bom sentido) deve muito a David Bowie, Iggy Pop e Lou Reed. Esse trio deve ter feito umas baladas bem sem noção durante a década de 70, enquanto produziam seus melhores e mais experimentais trabalhos, que deram o tom dark/glam dos anos pós-hippies, e destoaram da papagaiada progressiva/grandiloquente que dominava o rock na época.
Os três trabalharam juntos muitas vezes, principalmente Bowie e Iggy na lendária BERLIN ERA, onde os dois jovens mandaram ver na HEROÍNA e no EXPERIMENTALISMO. Desta época são os revolucionários The Idiot, do ex-Stooge, e Low, do ex-Ziggy Stardust. Ambos são de 1977, com o punk já como uma realidade, mas tem no experimentalismo proto-eletrônico e melodias dissonantes sua característica principal .
O Berlin de Lou Reed veio um pouco antes, em 1973, afinal ele é um pouco mais velho e desbravou território antes do inglês Bowie e do nativo de MICHIGAN Iggy. Mas a ópera rock sobre um casal drogado é meio mala na real, então fiquei com o FUNDAMENTAL 'Transformer', feito um ano antes. Vamos ver se esse post terá problemas com o pessoal das GRAVADORAS!
Lou Reed - Transformer (1972)
O que dizer de 'Transformer'? Segundo disco solo de Reed pós Velvet Underground (primeiro só com material pós Velvet), tem só 'Walk on the Wild Side', além de abrir com 'Vicious e ter 'Sattelite of Love', 'Perfect Day' e outras pepitas. A situação tensa de Nova York no início dos anos 70, com drogas e putaria pesada, e as referências aos travecos, fizeram desse disco um marco. Foi produzido por um Bowie em plena fase andrógina Ziggy Stardust, e pelo guitarrista Mick Ronson, dos Spiders from Mars.
Lado A:
01 - Vicious
02 - Andy's Chest
03 - Perfect Day
04 - Hanging Around
05 - Walk on the Wild Side
Lado B:
06 - Make Up
07 - Satellite of Love
08 - Wagon Wheel
09 - New York Telephone Conversation
10 - I Am So Free
11 - Goodnight Ladies
Iggy Pop - The Idiot (1977)
Em 1976 a IGUANA Iggy Pop estava tentando sair do vício pesado e se instalou em Berlin. Os Stooges já eram, e o amigo David Bowie também estava instalado na cidade alemã (numa época com o Muro de Berlin lá e uma cena musical/cultural MUTHOLOCA que envolvia o experimentalismo eletrônico de Neu, Can e Kraftwerk). Bowie então produziu esse álbum emblemático de Iggy, experimental na veia, com uma mistura from hell de Kraftwerk e James Brown (!!!) em faixas como 'Nightclubbing' e a clássica 'China Girl', composta por Bowie.
Lado A:
01 - Sister Midnight
02 - Nightclubbing
03 - Funtime
04 - Baby
05 - China Girl
Lado B:
06 - Dum Dum Boys
07 - Tiny Girls
08 - Mass Production
David Bowie - Low (1977)
O terceiro elemento dessa fase experimental e ambient de Iggy e Bowie foi o grande BRIAN ENO, que colaborou com Bowie e Tony Visconti na produção essa obra prima que dá início à 'Trilogia de Berlin' do nosso CAMALEÃO. O sintetizador de Eno é fundamental nas faixas climáticas e densas de 'Low' separado em um lado A com canções mais convencionais e o lado B com temas instrumentais e viajeira forte. A faixa mais conhecida 'Sound and Vision', cria o clima mas não o resolve, mostrando que a estrutura de 'Low' não é nada fácil de assimilar. Mas se você mergulhar fundo na depressão gélida e viciada de Bowie naqueles tempos de Berlin, a viagem é garantida.
Lado A:
01 - Speed of Life
02 - Braking Glass
03 - What in the World
04 - Sound and Vision
05 - Always Crashing in the Same Car
06 - Be My Wife
07 - A New Career in a New Town
Lado B
08 - Warszawa
09 - Art Decade
10 - Sleeping Wall
11 - Subterranean
Ouveaê!
segunda-feira, 4 de abril de 2011
Lula Côrtes e Zé Ramalho - Paêbirú (1975)
O pernambucano Lula Côrtes deixou esta Terra no último dia 26 de março, aos 61 anos. Ele será lembrado para sempre como o cérebro frito por trás de um dos discos mais lendários e enigmáticos da história da música brasileira, Paêbirú. Muito se escreveu sobre a lenda que cerca esse tratado psicodélico hippie nordestino. Com um jovem e ainda desconhecido Zé Ramalho e com uma mítica banda de apoio formada por Paulo Rafael, Robertinho de Recife, Geraldo Azevedo e Alceu Valença, entre outros, todos membros da mutcholoca cena psicodélica recifense de meados dos anos 70, o falecido Lula gravou este disco duplo entre outubro e dezembro de 1974, alimentado por diversos alteradores de consciência, pela gravadora Rozemblit. Ele já tinha no currículo o também altamente psicodélico Satwa, lançado um ano antes.
Cada um dos quatro lados do álbum representava um elemento (terra, ar, fogo e água), e o conceito (sim, é um álbum conceitual) "conta a história da Pedra do Ingá, um monólito existente no interior da Paraíba que sinalizaria um caminho 'a pé pro Peru' (daí Paêbirú, na língua dos índios cariris), mais precisamente Machu Picchu, a cidade perdida dos Incas. (segundo Rodrigo de Andrade. Já para Fernando Rosa, o Senhor F., o Paêbirú do título significa 'caminho do sol' na língua inca. Bem, de qualquer forma vocês sentiram o drama: hippismo dos fortes. As músicas são psicodelia pesada, repletas de ensandecidas violas, guitarras, baixo pesado, muitos sopros (com destaque pras flautas, claro) e vocais inacreditáveis, "árabes", na definição do Sr. F. Enfim, viajeira forte.
Mas a lenda do disco vai além. Originalmente foram prensadas 1000 cópias, mas uma enchente no depósito da gravadora, às margens do rio Capibaribe, levou embora a maioria, junto com as fitas master, e estima-se que apenas 300 cópias sobrevivem, nas mãos de colecionadores, que chegam a pedir R$ 5 mil reais por uma cópia. Selos gringos relançaram o bolachão, mas copiados de outros vinis, sem as masters, a qualidade de som não é das melhores. De qualquer forma, o rip em MP3 do mítico Paêbirú circula por aí, e não poderia faltar neste Ouveaê.
O jornalista Cristiano Bastos foi ao interior da Paraíba conhecer a Pedra do Ingá e a lenda por trás do disco para uma matéria da Rolling Stone, e junto com Leonardo Bonfim, fez um documentário sobre a busca. Dá uma conferida no trailer:
e boa viagem com a fritação de Lula, Zé e os fritos pernambucanos:
Lula Côrtes e Zé Ramalho - Paêbirú (1975)
Terra
1. Trilha de Sumé
2. Culto a Terra
3. Bailado das Muscarias
Ar
4. Harpa dos Ares
5. Não Existe Molhado Igual ao Pranto
6. Omm
5. Não Existe Molhado Igual ao Pranto
6. Omm
Fogo
7. Raga dos Raios
8. Nas Paredes da Pedra Encantada
9. Marácas de Fogo
8. Nas Paredes da Pedra Encantada
9. Marácas de Fogo
Água
10. Louvação a Iemanjá
11. Regato da Montanha
12. Beira Mar
13. Pedra Templo Animal
11. Regato da Montanha
12. Beira Mar
13. Pedra Templo Animal
14. Trilha de Sumé
(link devidamente surrupiado do obrigatório Brazilian Nuggets)
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
Frank Zappa - Hot Rats (1969)

Este primeiro disco solo de Frank Zappa (sem os Mothers of Invention) é mais um ilustre quarentão. A essa altura Zappa já era um nome a se respeitar no rock vanguardista norte-americano. Mais respeitável pensando que ele NÃO usava drogas! De qualquer forma, esse Hot Rats é também a primeira incursão de Zappa pelo terreno do jazz-rock. É quase todo instrumental, com exceção da segunda faixa, 'Willie the Pimp', com vocais do amigo de infância de Zappa Capitain Beefhart. De resto é só fritação com o mestre esmirilhando na guitarra em faixas que aliam a sofisticação musical do jazz com a atitude suja do hard rock, que se alongam por até DEZESSETE minutos sem entediar o ouvinte, como em 'The Gumbo Variations'. Exceção é a primeira, 'Peaches en Regalia', de uma suntuosidade épica em apenas pouco mais de três minutos, e 'Little Umbrellas'. Um clássico indispensável.
Frank Zappa - Hot Rats (1969)
01 - Peaches En Regalia
02 - Willie the Pimp
03 - Son of mr. Green Genes
04 - Little Umbrellas
05 - The Gumbo Variations
06 - It must be a Camel
Ouveaê!
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
The Velvet Underground - The Velet Underground & Nico (1967)
Esse disco já é tão conhecido e considerado um dos grandes clássicos do século 20 que imagino que muitos de vocês já tenham, mas nunca é demais reforçar: é realmente uma das obras-primas da música produzida no século passado, isso além de rótulos como rock, psicodelia ou música pop, até porque é um marco também da música de vanguarda. Isso devido ao fato de o Velvet ser formado por parte da nata da vanguarda artística junkie de Nova York dos anos 60. O núcleo da banda era a dupla Lou Reed (vocal e guitarra) e John Cale (baixo, viola e órgão). O novaiorquino Reed era um roqueiro típico, mas se envolveu na vanguarda musical da cidade nos tempos loucos dos anos 60, e o galês Cale era um violinista erudito, discípulo de gente como o minimalista John Cage, que se interessou pela crueza e potencial revolucionário do Rock. Junte a essa mistura o midas da pop art Andy Warhol, que apadrinhou o grupo, e o resultado foi esse que é um dos discos mais influentes de todos os tempos, mas que foi pouco ouvido na época de lançamento, além da patota artística que frequentavam. Mas diz a lenda que boa parte dos poucos que ouviram o disco criaram suas próprias bandas fundamentais, e o Velvet foi o padroeiro de todas as trangressões sonoras que desembocaram no punk e no rock alternativo dos anos 80, quando já eram lenda.Esse álbum tem a participação da modelo alemã Nico, outra habitué da turminha de Warhol, que empresta sua voz inusitada a faixas oníricas como Femme Fatale e All tomorrow's parties. Reed canta as mais cruas, como Heroin e I'm waiting for the man, que falam abertamente sobre o vício em heroína.
Bom, já falei demais, e música é pra ouvir, então ouveaê!
The Velvet Underground - The Velet Underground & Nico (1967)
01 - Sunday Morning
02 - I’m Waiting for the Man
03 - Femme Fatale
04 - Venus in Furs
05 - Run Run Run
06 - All Tomorrow’s Parties
07 - Heroin
08 - There She Goes Again
09 - I’ll Be Your Mirror
10 - The Black Angel’s Death Song
11 - European Son
Ouveaê!
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
Cabruêra - Cabruêra (2000)

Esse é o primeiro album dos paraibanos do Cabruêra, lançado em 98, e leva o nome da banda.
O grupo mistura influências regionais com música contemporânea criando músicas instigantes como "forró esferográfico".
Olha a definição que achei "Os cabras da Cabruêra chegam eletrificando cocos, envenenando cirandas, sampleando repentes e o que mais se apresentar. (...) Uns começaram regueiros, outros roqueiros, outros funkeiros, mas acabaram derivando para a sua própria mistura. (...) Seu show é uma mescla de forró com Pink Floyd, coco com Hermeto Paschoal, ciranda com Funk, maracatu com Frank Zappa, embolada com rock; trata-se de um verdadeiro caldeirão de ritmos e culturas musicais sem perder suas raízes."
Cabruêra - Cabruêra (2000)
1. Loa de Cheganca
2. Forró Esferográfico
3. Cangaço
4. Munganze
5. Ciência Nordestina
6. Música Nova
7. Galopeando
8. Parapoderembolar
9. Certo Sertão
10. Bagaçera
11. Pontal
12. Nada Para O Pedro
ouveaê!
terça-feira, 23 de junho de 2009
Chicago Undergroud Duo - Synesthesia (2000)

Opa! Dando continuidade aos trabalhos, aí vai uma piração sonora das fortes. O Chicago Underground Duo é um dos nomes mais representativos do Jazz vanguardista que floresce na 'cidade dos ventos' americana. Formado pelo trompetista e tecladista Rob Mazurek, exímio no sopro, e pelo baterista e vibrafonista Chad Taylor, são brothers do pessoal conterrâneo do Tortoise. Este disco, lançado em 2000, inclusive, foi produzido pelo Tortoise John McEntire. No ano seguinte, o duo virou trio com a entrada do baixista Noel Kupersmith e recentemente virou quarteto. Ativo no underground, Mazurek andou pelo Brasil e gravou um disco sob o nome São Paulo Underground, com o multinstrumentista paulistano M. Takara.
Synesthesia, como o próprio nome indica é uma viagem hipnótica que alia o minimalismo inspirado por Miles Davis da fase Bitches Brew a uma riquíssima textura sonora, misturando o jazz fusion dos anos 70 com uma vibe futurista. Bem, é difícil explicar o som dos caras, então ouveaê e boa viagem!
Chicago Underground Duo - Synesthesia (2000)
01 - blue sparks form her, and the scent of lightning
02 - threads on face
03 - bellatron
04 - red gradiations
05 - flexus
06 - labirynth
07 - the unique container
08 - tram transfer nine
09 - mca
Ouveaê!
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