segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Curtis Mayfield - Superfly (1972)

1972, o movimento pelos direitos civis dos negros norte-americanos já era notícia velha, da década anterior, o black power já estava consolidado. O que não quer dizer que a vida dos african americans tenha melhorado muito. 1972, o entusiasmo hippie pelas drogas alteradoras de consciência já estava na fase da ressaca, e a criminalidade relacionado ao tráfico de drogas nas grandes cidades dos EUA crescia. 1972, um novo sugênero cinematográfico, o BLAXPLOITATION, filmes com temática violenta e personagens do submundo negro, começava a fazer sucesso.

Todos esses fatores levaram à criação desta obra-prima da black music. Curtis Mayfield, veterano soulman identificado com o movimento dos direitos civis, autor de pedradas como People Get Ready e Move on Up, foi chamado pelo diretor Gordon Parks Jr. para fazer a trilha sonora de um filme sobre um traficante de cocaína que começa a refletir que o caminho que segue vai levá-lo ou à cadeia ou ao cemitério em pouco tempo.

E Mayfield fez uma das melhores trilhas sonoras da história, responsável por colocar esse filme nas enciclopédias de história do cinema como principal representante do Blaxplotation. As músicas, de uma pegada groove-hipnótica insana, contam as histórias do filme sem apelar para o paternalismo ou glorificação da criminalidade, tampouco ao moralismo barato. Pusherman mostra o traficante como um homem de negócios como outro qualquer, Little Child Runnin' Wild mostra o sofrimento das crianças dos guetos negros, Freddie's Dead, que foi sampleada pelos Racionais MC's em Mano na Porta do Bar, narra a morte do trafica boa-praça Freddie e a indiferença dos à sua volta, e a faixa-título é um verdadeiro clássico 70's.

Enfim, funk groove soul urbano da melhor qualidade

01 - Little Child Runnin' Wild
02 - Pusherman
03 - Freddie's Dead
04 - Junkie Chase
05 - Give Me Your Love (Love Theme)
06 - Eddie You Should Know Better
07 - No Thing On Me (Cocaine Song)
08 - Think
09 - Superfly

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Louis Armostrong - The Complete Hot Five and Hot Seven Recordings

Rapaz, esse negócio de fazer blog de música vicia. Aliás, música vicia. Música é bom demais. Então devemos sempre prestar homenagem aos grandes mestres desta nobre arte. E este belo e elegante rapaz negro posando pra foto aí em cima é um dos maiores entre os maiores. Louis Daniel Armostrong foi um dos criadores e talvez o maior embaixador do estilo de música que chamamos de JAZZ.

Louis nasceu na aurora do século XX, e não poderia ter nascido em outro lugar que não Nova Orleans. Ele sempre afirmou ter nascido em 4 de julho de 1900, data emblemática até demais, tanto que historiadores comprovaram que sua verdadeira data de nascimento é 4 de agosto de 1900. Neto de escravos, veio ao mundo numa família paupérrima. O pai se mandou pouco depois de seu nascimento, a sua mãe teve que se virar, vindo até a se prostituir. Louis viveu boa parte da infância com a avó, num dos bairros mais pobres de Nova Orleans. Começou a trabalhar com cinco anos, fazendo bicos como entregador de jornais e recolhendo comida descartada pelos restaurantes. Mas não deixou de ir à escola, e foi lá que entrou em contato com a música "creole" de Nova Orleans. Trabalhou também vendendo carvão nas ruas da histórica zona de meretrício de Storyville, nas docas da cidade. Os cabarés e casas de shows de Storyville foram o local de nascimento do jazz, e desde moleque Louis via os grandes músicos da época, como os lendários Joe "King" Oliver e Kid Ory, se apresentando.

Com onze anos aprendeu, de ouvido, a tocar corneta com King Oliver. Trabalhou na casa de uma família judia que tinha um comércio de ferro-velho e o tratava como filho. Louis sempre mencionou a gratidão à família Karnofsky, e usou um pingente com a Estrela de Davi até sua morte. Foi internado diversas vezes em um reformatório por delinquência na adolescência, e foi na banda do reformatório que desenvolveu sua natural habilidade com a corneta. Logo virou o líder da banda, que se apresentava regularmente nas ruas de Nova Orleans. E, rapidamente chamou a atenção dos músicos locais. Foi solto do reformatório aos 14 anos e começou a trabalhar em um cabaré de Storyville, carregando carvão de dia e tocando corneta a noite.

Também tocava frequentemente nas tradicionalíssimas bandas de rua de Nova Orleans, e escutava os grande músicos da época sempre que podia. King Oliver virou seu mentor. Começou a excursionar com a banda de Fate Marable, que tocava em um dos famosos barcos a vapor que subiam e desciam o Rio Mississipi. Ele considerava essa época tocando no Mississipi como sua "Universidade". Em 1918 King Oliver partiu rumo ao norte dos Estados Unidos, e Louis ficou com seu lugar como trompetista da banda liderada por Kid Ory. Continuou se apresentando nos barcos a vapor, e amadureceu seu talento nato, aprendendo a ler as partituras. Em 1922 aceitou o convite de Oliver e partir para Chicago, como milhões de negros norte-americanos que nos anos 20 migraram da pobreza do sul para trabalhar na pujante indústria do norte dos EUA.

A banda de King Oliver era a mais famosa banda de Jazz de Chicago, e Chicago era o centro do jazz nos Estados Unidos, com Nova York em segundo lugar. Pela primeira vez Louis viveu com conforto, morando num belo apartamento e tocando em locais refinados. Realizou suas primeiras gravações nos selos Okeh e Gannett, quando os discos de jazz começavam a circular pelo país. Mas logo saiu da banda de Oliver, atendendo os anseios de sua esposa, a pianista Lil Harding Armstrong, que ansiava para que marido tivesse mais destaque. Foi para Nova York e tocou em diversas bandas importantes, como a de Fletcher Henderson, a principal banda só de negros da época. Marido e mulher tocavam também peças clássicas nas Igrejas para desenvolver ainda mais seus dotes musicais. Ainda acompanhou cantoras de blues como a lendária Bessie Smith.

Em 1925 retornou para Chicago, desta vez para ser líder de banda, e foi neste ano que começou a gravar as históricas sessões com o grupo Hot Five, formado para acompanhá-lo. Os Hot Five tinham a esposa Lil no piano, o velho companheiro Kid Ory no Trombone, Johnny Dodds no clarinete e Johnny St. Cyr no banjo. Armstrong era o líder, mas era um chefe tão legal que os outros músicos se sentiam totalmente a vontade. Em 1925 gravaram clássicos absolutos como "Potato Head Blues", "West End Blues", "Cornet Chop Suey" e "Muggles", apelido para a maconha, erva da qual o bom e velho Louis era grande apreciador. "Em "Heebie Jeebies", Louis com todo seu talento para a improvisação inventava o "scat singing" tornando para sempre famosa sua voz inconfundível. Para as sessões com o Hot Seven entraram o baterista Baby Dodds, irmão de Johhny, e Pete Briggs na tuba. Os compactos de 78 rotações que resultaram dessas gravações históricas fizeram enorme sucesso e tornaram Louis Armostrong o mais famoso jazzista de todos os tempos. E o resto é História...

Bem, já falei demais. O fato é que todas as músicas gravadas na época, inclusive em versões alternativas, foram reunidas num verdadeiro trabalho arqueológico em coleções particulares e nas coleções do Instituto Smithsonian, digitalizadas dos originais de 78 RPM e remasterizadas, e aparecem nesta box-set com quatro CDs, e vocês podem pegar tudo aqui! Vai lá que o negócio é fino.

Louis Armostrong. The Complete Hot Five and Hot Five Recordings

Track Listing (Disc 1): Gut Bucket Blues; My Heart; Yes I'm In The Barrel; Come Back Sweet Papa; Georgia Grind; Heebie Jeebies; Cornet Chop Suey; Oriental Strut; Your Next; Muskrat Ramble; Don't Forget To Mess Around; I'm Gonna Gitcha; Droppin' Shucks; Who'zit; King Of The Zulus; Big Fat Mama And Skinny Pa; Lonesome Blues; Sweet Little Papa; Jazz Lips; Skid-Dat-De-Dat; Sunset Cafetomp; You Made Me Love You; Irish Black Bottom. (Total Time: 68:35).

Track Listing (Disc 2): Put'em Down Blues; Ory's Creole Trombone; The Last Time; Struttin' With Some Barbecue; Got No Blues; Once In Awhile; I'm Not Rough; Hotter Than That; Savoy Blues; He Likes It Slow; Gambler's Dream; Sunshine Baby; Adam And Eve Had The Blues; Put It Where I Can Get It; Wash Woman Blues; I've Stopped My Man; Georgia Bo Bo; Drop That Sack; Drop That Sack; Cornet Chop Suey. (Total Time: 61:27).

Track Listing (Disc 3): Willie The Weeper; Wild Man Blues; Alligator Crawl; Potato Head Blues; Melancholy Blues; Weary Blues; Gully Low Blues; That's When I'll Come Back To You; Chicago Breakdown; Weary Blues; New Orleans Stomp; Wild Man Blues; Wild man Blues; Melancholy Blues; Melancholy Blues; You're A Real Sweetheart; Too Busy; Was It A Dream; Last Night I Dreamed I Kissed You. (Total Time: 68:20).

Track Listing (Disc 4): Fireworks; Skip The Gutter; A Monday Date; Don't Jive Me; West End Blues; Sugar Foot Strut; Two Deuces; Squeeze Me; Knee Drops; No (No, Papa, No); Basin Street Blues; No One Else But You; Beau Koo Jack; Save It, Pretty Mama; Muggles; Hear Me Talking To You; St. James Infirmary; Tight Like This. (Total Time: 73:53).

Ouveaê!!!
Senha pra descompactar o arquivo: flipyourwig

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Jackson do Pandeiro - Sua Majestade - O Rei do Ritmo (1960)

Depois de uma leva de posts de discos gringos, nada mais justo que colocar aqui um disco emblemático de um dos maiores e mais influentes músicos da História da Música Popular Brasileira.

José Gomes Filho nasceu na pequena cidade de Alagoa Grande, interior da Paraíba, em 31 de agosto de 1919, em uma família de artistas populares. Sua mãe, Flora Mourão, era cantora e folclorista de Pastoril. Ganhou o apelido de Jack, e depois Jackson, ainda menino, por sua semelhança com um ator de filmes mudos de faroeste que eram sucesso no cinema da cidade. Começou a tocar zabumba acompanhando a mãe nas tradicionais feiras que percorriam o interior do nordeste, mas logo sua perícia com o pandeiro lhe rendeu o sobrenome artístico. Além de instrumentista e ritmista, Jackson compunha e cantava, com uma voz inconfúndivel.

O grande mérito de Jackson do Pandeiro foi conseguir traduzir toda a riqueza dos ritmos típicos nordestinos, do Forró ao Samba de Coco, para o grande público do resto do Brasil, a partir de 1953, quando se apresentou pela primeira vez no rádio. Nisso rivaliza com o grande Luiz Gonzaga o posto de principal divulgador do forró, mas muitos afirmam que enquanto Gonzagão apenas divulgou os ritmos que já conhecia, Jackson era um criador, expandindo os limites dos ritmos nordestinos.

Jackson se fixou no Rio de Janeiro, foi contratado pela então toda-poderosa Rádio Nacional e gravou diversos compactos. Boa parte de seus sucessos, como a lindíssima "Canto da Ema", cantada por Gilberto Gil em Expresso 2222, "Sebastiana", "Forró em Caruaru" "1X1", "Coco de Improviso" e a impagável "Xote de Copacabana", foram reunidas neste LP lançado em 1960 pela gravadora Copacabana Discos. Dos grandes sucessos do Rei do Ritmo só ficou de fora a clássica "Chiclete com Banana", onde o Bebop entrava na misturada de Jackson do Pandeiro. Mas pra vocês não ficarem tristes, vai também um vídeo do mestre explicando a origem do apelido e mandando Chiclete com Banana ao vivo.


e depois do aperitivo, segue o prato principal:

Jackson do Pandeiro - Sua Majestade - O Rei do Ritmo (1960)

01 - Forró em Caruaru
02 - Cabo Tenório
03 - O Canto da Ema
04 - Sebastiana
05 - Cremilda
06 - Coco de Improviso
07 - Xote de Copacabana
08 - A Mulher do Aníbal
09 - 1X1
10 - Coco Social
11 - Falsa Patroa
12 - O Crime Não Compensa

sábado, 2 de janeiro de 2010

Mission of Burma


Feliz ano novo, fiéis ouvintes do Ouveaê! Para começar 2010 com o pé-direito, vou postar os dois discos clássicos dessa excelente banda de Boston, Massachussets, formada no longínquo ano de 1979, no bojo da revolução punk. Como os já aqui citados Television, o Mission of Burma tinha a atitude punk, mas não acreditava nesse negócio de que pra ser punk tem que tocar mal. Assim, com suas músicas ao mesmo tempo barulhentas e ricas em melodia, o Mission é creditado como uma das principais bandas do post-punk e um dos pais do Indie Rock norteamericano.

A sonoridade do Mission of Burma estava centrada na guitarra feroz de Roger Miller, amparada no baixo de Clint Conley e a bateria de Peter Prescott. Influenciados por gente como The Stooges e Velvet Underground, o Mission definitavemente não era uma banda Punk qualquer. Contribuía para isso o fato deles gravarem num dos melhores estúdios de Boston, longe da tosqueira típica das gravações de bandas punks.

Em 1981 lançaram o sensacional single Academy Fight Song, e logo depois o primeiro EP, Signals, Calls and Marches.

Mission of Burma - Signals, Calls and Marches (1981)


A faixa de abertura, 'Academy Fight Song', não estava incluída originalmente no EP, pois foi lançada como single. Mas nessa reedição não podia faltar, e é seguida da também ótima 'Max Ernst'. Outros destaques são a clássica 'That's When I Reach for My Revolver' e 'This is Not a Photograph'. Em comum as letras com referências artísticas e filosóficas, os vocais meio declamatórios, as inusitadas quebras no tempo das músicas e o ritmo alucinado.

01 - Academy Fight Song
02 - Max Ernst
03 - Devotion
04 - Execution
05 - That's When I Reach For My Revolver
06 - Outlaw
07 - Fame And Fortune
08 - This Is Not a Photograph
09 - Red
10 - All World Cowboy Romance


Logo depois os Missions lançaram o primeiro (que seria seu único) álbum:

Mission of Burma - Vs. (1982)


Vs. é estranhamente menos pop e mais experimental que Signals, Calls and Marches, com menos riffs e refrões pegajosos, mas é uma bela coleção de caos sonoro, com destaque para a porrada 'That's How I Escaped my certain Fate' e as ótimas 'Einstein's Day' e 'The Ballad of Johnny Burma'.

01 - Secrets
02 - Trains
03 - Trem Two
04 - New Nails
05 - Dead Pool
06 - Learn How
07 - Mica
08 - Wheaterbox
09 - The Ballad of Johnny Burma
10- Einstein's Day
11 - Fun World
12 - That's How I Escaped My Certain Fate
13 - Laugh The World Away
14 - Forget
15 - Progress
16 - OK No Way


A banda acabaria logo depois, por um motivo deveras pitoresco. AS apresentações ao vivo do Mission eram conhecidas por ser das mais barulhentas possíveis. Isso fez com que o guitarrista Roger Miller começasse a perder a audição. Assim, antes de ficar surdo de vez ele pediu pra sair, e a banda sem ele não fazia sentido. Uma amostra da porradaria ao vivo do Mission pode ser sentida no disco ao vivo 'The Horrible Truth About Burma', lançado em 1985, com músicas da turnê de despedida.

Mission of Burma - The Horrible Truth About Burma (1985)



A banda inesperadamente voltou a se reunir em 2002, e em 2004 lançaram um novo disco, bem bom aliás, OnOffOn, e desde então tem excursionado e lançou mais dois discos. Mas não achei o link dos novos discos, então quem se interessar, se vira! heheheh...

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

The Zombies - Odessey and Oracle (1968)

Corria o ano de 1968 e o LSD inundava as mentes da galera. Essa banda inglesa, formada em 1961, já era conhecida pela sensacional balada psicodélica "She's Not There", de 1964, mas ainda eram uma 'One Hit Wonder'. Então produziram essa obra-prima, sonzeraça de primeira. Depois dos Beatles e dos Beach Boys, o Zombies foram o maior expoente do "Pop Barroco", música com belas harmonias vocais e e arranjos instrumentais evocando paisagens rurais, camponeses, essas coisas... No Âmago dessa sonoridade está o órgão de Rod Argent, fortemente influenciado pelo Jazz de Jimmy Smith e companhia bela, e os vocais sussurrados de Colin Blunstone. Faixas como 'Care of Cell 44', 'Cheanges', This will be our year', 'Beechwood Park' e a sensacional 'Time of the Season' transpiram climas ensolarados psicodélicos. Boa pedida pra esse fim de ano de sol e calor tropical.

Dado curioso: Quando foi lançado, "Odessey and Oracle" foi praticamente ignorado pelo público e crítica, e vendeu quase nada. A banda não aguentou a barra e se separou logo depois. Apenas dois anos depois 'Time of the Season' começou a tocar em rádios e chegou às paradas de sucesso, reacendendo o interesse pela banda.

The Zombies - Odessey and Oracle (1968)

01 - Care of Cell 44
02 - A Rose for Emily
03 - Maybe After He's Gone
04 - Beechwood Park
05 - Brief Candles
06 - Hung Up on a Dream
07 - Changes
08 - I Want Her, She Wants Me
09 - This Will Be Our Year
10 - Butcher's Tale (Western Front, 1914)
11 - Friends of Mine
12 - Time of the Season

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Charlie Parker and Dizzy Gillespie - Town Hall, New York City, June 22, 1945


Corria o ano de 1945 e esses dois sujeitos estavam inventando o Bebop quando rolou essa lendária temporada de shows na Prefeitura de Nova York. Em uma palavra: Histórico. Os masters gravados em acetato dessa sessão de 22 de junho de 45, ainda na ressaca do fim da 2ª Guerra Mundial, foram redescobertos em 2005 e ganharam essa edição remasterizada. Claro que a gravação da época não era grandes coisas, mas pensando positivo, isso também contribui para o clima antigo da parada.

Aqui o trompete de Dizzy e o sax de Bird estão respaldados pela batera de Max Roach, o sax tenor de Don Byas e o piano de Al Haig, fazendo clássicos do porte de 'Salt Peanuts', 'A Night in Tunisia', 'Groovin' High' e a faixa de abertura, simplesmente, 'Bebop'.

Dizzy Gillespie & Charlie Parker: Town Hall New York City - June 22, 1945


01 - Intro
02 - Bebop
03 - A Night in Tunisia
04 - Groovin' High
05 - Salt Peanuts
06 - Hot House
07 - Fifty Second Street Theme


quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Django Reinhardt with Stephane Grappelli and the Quintet - Hot Club Remastered (2009)

Jean Baptiste Reihardt nasceu na Bélgica, em 1910. Mas era cigano, de família cigana, então não dá pra dizer que ele era belga, nem francês, embora tivesse vivido a maior parte da vida na França. Em contato com a riquíssima tradição musical cigana, aprendeu a tocar violino ainda cedo, e depois escolheu o violão como instrumento. O acampamento onde morava, nas proximidades de Paris, pegou fogo em 1928, e Django queimou a mão esquerda, o que não o impediu de continuar tocando, e o novo jeito que ele encontrou pra tocar é creditado por alguns críticos como marca do seu estilo inconfundível no dedilhado. Outra lenda diz que foi durante sua recuperação das queimaduras que ele entrou em contato com o jazz norte-americano, então uma novidade na Europa, ouvindo discos de Louis Armstrong.

Django tocava em cafés parisienses seu som gipsy, começando a sofrer a influência do jazz, quando Pierre Nourri, chefe do Hot Club de France, o primeiro clube de jazz europeu, propôs que ele se juntasse ao violinista Stephan Grapelli em uma banda de cordas. Assim nasceu o histórico Quintet of the Hot Club of France. As gravações da época foram remasterizadas e aparecem agora nessa compilação sensacional lançada recentemente.

Django ficou famoso, mas o espírito cigano seguia forte. Muitas vezes ele sumia e ia passear no campo, faltando a shows, entre outras peripécias. Para saber mais sobre a colorida vida de Django, recomendo o filme Sweet and Lowdown, de Woody Allen, uma semi-biografia com Sean Penn no papel de Django.

ERRATA: Falei merda, "Sweet and Lowdown" não é uma biografia de Django. O personagem vivido por Sean Penn é do violonista fictício Emmet Ray, obcecado por Django. O filme é feito como se Ray tivesse realmente existido, e suas peripécias com mulheres, bebedeiras e outras fanfarronices são livrementes baseadas na vida de Django. Aliás, o filme é bem legal, assistam!

Django Reinhardt with Stephane Grappelli and the Quintet - Hot Club Remastered (2009)

01.Dinah 02:34
02.Oh Lady Be Good 02:51
03.Blue Rag 02:54
04.Djangology 02:55
05.Swing Guitars 02:22
06.Sweet Chorus 02:42
07.Liebestraum 03:18
08.Tears 02:36
09.St Louis Blues 02:40
10.Minor Swing 03:12
11.Vipers Dream 03:13
12.Tea for Two 02:50
13.My Sweet 02:56
14.Daphnee 03:06
15.Stockholm 02:45
16.Hcq Strut 02:54
17.The Man I Love 03:09
18.Swing 39 03:14
19.Nuages 03:18
20.Sweet Sue 02:49
21.Manoir De Mes Reves 03:17
22.Echoes of France 02:45
23.September Song 03:16
24.Topsy 03:03
25.Lover Man 03:09

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Cafe Tacvba - Avalancha de Éxitos (1996)


Dando continuidade à toada latina, subimos um pouco mais para o norte, mas ainda abaixo do Río Grande (ou Río Bravo). A melhor banda de México que yo conozco chama-se Café Tacuba. A banda, que depois mudou o nome para Café Tacvba, é formada por quatro chilangos, como são conhecidos os habitantes da Cidade do México. Com uns 20 anos de estrada, são um ícone do rock mexicano. O álbum aqui postado chama-se Avalancha de Éxitos, de 1996, e como o próprio nome indica é uma coletânea de sucessos – dos outros. Explico: são oito covers de outros cantores hispanohablantes. Destaque pra Chilanga Banda, um rock-rap cantando inteiramente em chilangoñol, o “dialeto” callejero típico da cidade... vou colocar aqui só o refrão, quem souber a tradução ganha uma breja na cerca-frango! Suerte!

Pachucos, cholos y chundos,
Chinchinflas y malafachas
Aca los chompiras rifan
Y bailan tibiritabara


domingo, 13 de dezembro de 2009

Rebel Sounds Collection

ATENÇÃO!

Este post foi escrito por um iniciante na midia digital.

Dando continuidade à pequena resenha/homenagem/seleção de blogs musicais, apresentamo-lhes o Rebel Sounds. Blog de musica sul e centro-americana, europeia latina, e sei la mais o que. Não digo que seja musica latinoamericana porque acho que ela é muito mais afroindigena e mestiça do que latina - como toda nossa américa, aliás. Musica com pegada politico-libertária-legalista-ambientalista-socialista e por aí vailista. Ou não também, essa é apenas a minha interpretação do blog.

Enfim, já a muito tempo os caras hospedam de chico science a fabulosos cadilacs. Tendência rock-punk-ska-regional-afro-reggae-eletronico-rap (muito divertido tentar descrever esses conceitos...) e bossa nova. (brincadeira, bossa nova não).

Mas esse post é também uma homenagem ao Tropeço, que veio me perguntar da Colômbia. Justo a Colômbia, hahaha! Boa viagem maestro, aproveite!

A ver...

1- Los Gaiteros de San Jacinto - Un fuego de sangre pura



A Cumbia Colombiana é UNANIMIDADE CONTINENTAL. A história viva, sendo contada. As gaitas são como duas flautas, uma macho e outra femêa. Apaixonante. Esse é apenas um gostinho... tem mais coisa nesse blog Purayuca (mandioca pura). Saboreiem os tambores. A foto é dum disco mas o link é duma coletânea.

ouveae!


2- Sidestepper - More Grip



Mais musica colombiana. O que acontece quando um produtor inglês fica amigo dum grupo de cumbia contemporânea? More Grip é a resposta. Não se engane pelos nomes em ingles, a musica é caribenha pura.

  1. andando
  2. La Bara
  3. hoy tenemos
  4. bacalao salao
  5. linda manigua
  6. me muero
  7. chevere q chevere
  8. sidestepper
  9. campo
  10. tremendo_vacilon
Ouveae!

3. La Zurda - La Zurda

l
Seguimos no Blog, música argentina agora. Também mestiça em todas as formas, mas essencialmente o encontro da musica regional argentina com o bom rockska. Disco de 2007. Enjoy.

01. Falopero
02. Santa Anita
03. El Mundo
04. Echale Semilla
05. Sonno Le Mie Cossa
06. Tafí Del Valle
07. Los Ejes De Mi Carreta
08. Andaré
09. Culebrón
10. Mimbre y Cafe
11. Frontera
12. Vidita

Ouveae!

4. The Roots of Chicha - Psychadelic Peruvian Cumbias from the 70's



Muita cumbia, teclados, guitarras e ayahuasca e poucas flautas andinas. Musica da selva amazônica do Peru. Y viva el oriente!

Ouveaê!

5 - Totó la Momposina - La candela viva



A voz feminina da cumbia. Também de altíssima qualidade. Já veio tocar em São Paulo e tudo!

Ouveae!


6 - Eduardo Mateo - "Mateo solo bien se lame" (1972)



Um violero trovador uruguaio, Eduardo Mateo tinha especial apreço pela musica brasileira da época, em especial a bossa nova. Como o post é homenagem ao maestro Tropesso, fica também um pedido né. Toca Mateo!

Ouveae!

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Nina Simone Sings the Blues (1967)


Ah, Nina... A moça era o blues e o soul encarnados. Esse disco de 1967 é um dos seus melhores registros, mas claro, tem muitos outros para explorar. Nesse link, você acha quase tudo de Miss Simone. Já nesse humilde Ouveaê ficamos com esse Sings the Blues, que o nome já entrega: é bluesera da melhor qualidade, com composições de George Gershwin, Bessie Smith e talvez a melhor versão do clássico "The House of the Rising Sun". Belo representante dos sons "to make love to your ol' lady".

Nina Simone Sings the Blues (1967)

01 - Do I Move You?
02 - Night and Day
03 - In The Dark
04 - Real Real
05 - My Man's Gone Now
06 - Backlash Blues
07 - I Want a Litte Sugar in My Bowl
08 - Buck
09 - Since I Fell for You
10 - The House of the Rising Sun
11 - Blues for Mama
12 - Do I Move You? (Version 2)
13 - Whatever I Am (You Made Me)

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Suba - São Paulo Confessions (1999)

O sérvio Mitar Subotic nasceu em 1961 na cidade de Novi Sadi, no que então era a Iugoslávia. Estudou música clássica e erudita e pesquisou a música folclórica tradicional sérvia. Foi um dos pioneiros na utilização da eletrônica na música em seu país natal. Em 1986 seu disco In the Mooncage, que misturava o folk sérvio com eletrônica, ganhou um prêmio da Unesco e Suba veio ao Brasil, com uma bolsa para estudar os ritmos afro-brasileiros. Se apaixonou pelo Brasil e se mudou definitivamente para cá em 1990, pouco antes de estourar a guerra civil na Iugoslávia, se estabelecendo em São Paulo. Produziu discos para Marina Lima, Edgard Scandurra (em seu projeto solo eletrônico Benzina), Bebel Gilberto, Edson Cordeiro, Arnaldo Antunes e muitos outros.

Em 1999 havia finalizado o álbum Tanto Tempo, de Bebel Gilberto, e este São Paulo Confessions, homenagem à cidade que escolheu para viver, também estava pronto. Um incêndio atingiu seu apartamento-estúdio e Suba morreu asfixiado pela fumaça, tentando salvar o material gravado com Bebel. Lançado poucas semanas após sua morte, São Paulo Confessions ficou também como uma homenagem ao próprio Suba. As músicas, em parcerias com nomes como a cantora Cibele, Arnaldo Antunes e João Parahyba, percussionista do Trio Mocotó, transpira 'paulistanidade'. É eletrônico e sambista, cosmopolita e local, evoca noites chuvosas e apartamentos do edifício Copan. Foi louvado pela crítica tanto aqui quanto no exterior, e com todos os méritos.

Nos dez anos da morte de Suba, vai rolar hoje um show-tributo no Sesc Pompéia: Suba Connections, com participação de muitos músicos que trabalharam com o sérvio-brazuca.

Suba - São Paulo Confessions (1999)

01 - Tantos Desejos – Suba – (Taciana & Suba) (4:27)

02 - Você Gosta – Suba – (Taciana, Marcelo Paiva & Suba) (4:20)

03 - Na Neblina – Suba – (Suba) (4:43)

04 - Segredo – Suba – (Katia B. & Suba) (4:03)

05 - Antropófagos – Suba – (Suba) (6:22)

06 - A Felicidade – Suba – (Tom Jobim & Vinicius de Moraes) (4:21)

07 - Um Dia Comum (Em São Paulo) – Suba – (Suba) (4:59)

08 - Sereia – Suba – (Béco, Cibele & Suba) (6:00)

09 - Samba Do Gringo Paulista – Suba – (Suba) (4:49)

10 - Abraço – Suba – (Arnaldo Antunes & Suba) (5:05)

11 - Pecados Da Madrugada – Suba – (Suba) (5:05)

12 - A Noite Sem Fim – Suba – (Suba) (7:02)

Ouveaê!

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Television - Marquee Moon (1977)

O clássico desta segunda-feira é outro que parte dos princípios punks mas não se prende nos bons e velhos três acordes. O Television é uma banda novaiorquina, o primeiro grupo Punk a se apresentar no famoso CBGB's, que até então só apresentava grupos de blues e country (sim, antes até dos contemporâneos Ramones). Formado pela dupla de guitarristas Tom Verlaine (também vocalista) e Richard Lloyd, que, exímios no instrumento, estão a anos luz do guitarrista punk típico. Verlaine e Lloyd conversam através dos acordes. Completavam o Television o baixista Fred Smith e o baterista Billy Fucca.

Herdeiros legítimos do Velvet Underground, estes art-funks fizeram músicas tensas, com referências intelectuais e poesia urbana pra ninguém botar defeito, tudo epitomizado na épica faixa título, que tem um dos mais memoráveis solos de guitarra da história do rock. Além desta, faixas como Venus, See No Evil e Friction também são puro deleite. No começo da primeira faixa, See No Evil, Tom entrega o ouro: What I want, I want now! and it's a whole lot more than 'anyhow'. I want to fly, fly a fountainI want to jumpjumpjumpjump a mountain! Yeah!

Television - Marquee Moon (1977)

01 - See No Evil
02 - Venus
03 - Friction
04 - Marquee Moon
05 - Elevation
06 - Guide Light
07 - Prove It
08 - Torn Curtain

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Fela Kuti & Afrika 70 - Zombie (1977)


Revolucionário em todos os sentidos, Fela Anikulapo Kuti foi ativista político, defensor dos diretitos humanos e um músico genial.
Nascido na na Nigéria, na década de 30, ele se mudou para Londres nos anos 50 e lá teve contato com ritmos novos que entraram para o seu caldeirão musical, dando origem ao Afrobeat.
Essa mistura de jazz, funk, música africana e uma bela dose de piração fez do senhor Fela Kuti o músico mais popular da africa nos anos 70.

Cansado de se submeter aos desmandos do governo nigeriano, ele fundou aRepública Kalakuta, uma comuna, um estúdio de gravação e uma casa para muitos conectados à banda a qual mais tarde ele declarou independente do Estado da Nigéria.

A gota d'água para o governo foi o lançamento do album ZOMBIE. Uma referência explícita aos métodos das forças armadas nigerianas. O sucesso foi imediato e a repressão também: sua comuna foi invadida, destruída e incendiada. De quebra, Fela foi espancado e preso.

Enfim, essa é só uma história pra traçar os contornos do momento histórico do lançamento do álbum. O importante mesmo é a música que é muito foda!
Com looongas músicas hipnóticas abusando de intrumentos de sopro, e batidas tribais e coros femininos esse álbum é um clássico absoluto (apesar de ser underground).

1. Zombie
2. Mister Follow Follow
3. Observation Is No Crime
4. Mistake


ouveaê!

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Festival Express (2003) DVDRip

1970. Um ano depois do sucesso do Woodstock, todo mundo queria tirar sua casquinha na onda dos festivais ao ar livre na América do Norte. No Canadá, bandas viajavam de trem pelo país tocando de cidade em cidade. Não demorou para um espertalhão ter a ideia: por que não fretar um trem de artistas consagrados que durante o verão atravessaria o Canadá parando de ponto em ponto fazendo shows?

A experiência de aglutinar Grateful Dead, Buddy Guy, Janis Joplin, Jerry Garcia e um monte de outros músicos talentosos rendeu o documentário Festival Express, dos diretores Bob Smeaton, Frank Cvitanovich, gravado em 1970 e realizado apenas em 2003.

Mas calma lá. Não espere ver sexo, drogas e rock'n'roll sobre trilhos. O documentário tem seu quê de politicamente correto e se limita a mostrar as jams dentro dos vagões e os shows feitos nesse rolê de costa-a-costa pelo Canadá. O que convenhamos, não é pouco, musicalmente falando. Na piração, entretanto, é verdade que o filme deixa a desejar.

Assim como o Woodstock, o Festivalk Express também rendeu um belo preju para seus organizadores. A juventudo canadense achou por bem não pagar pelos ingressos e começou uma campanha "festival free" que acompanhou a trupo ao longo de toda a viagem. Entrar para a história dos festivais de música tem seu preço.

Festival Express (2003)
Arquivo 698 mb
Áudio: Inglês
Legendas: Inglês
Assisteaê!

The 2 Tone Collection - A Checkered Past (1993)

Final dos anos 70, interior da Inglaterra. O furacão punk já varria a terra da rainha, e a vertente skinhead começava a surgir com seus discursos racistas e anti-imigrantes. Uma galera mais esperta, liderada pelo The Clash, fazia o contrário, incorporando as sonoridades negras, principalmente da Jamaica (Reggae, Ska, Dub, Rocksteady), afinal muitos jamaicanos foram morar na ex-metrópole nesta época. Em 1977, na cidade de Coventry, uns moleques antenados com o punk e com a música jamaicana montaram o Special A.K.A., que depois ficou conhecido como The Specials, e iniciaram a chamada segunda onda do Ska. Os Specials tinham branquelos ingleses e negões jamaicanos na sua formação. Daí surgiu a idéia do Two-Tone, e a característica identidade visual em preto e branco que marcaria esse estilo. Daí também surgiu a gravadora 2 Tone Records, fundada pelo tecladista do Specials Jerry Dammers, que lançou diversas bandas do two-tone ska e tornou a música mais divertida. Afinal, quer coisa mais divertida do que um Ska bem mandado?!

Pois bem, em 1993 a 2 Tone lançou essa compilação em dois CD's com todos os singles lançados pela gravadora. Além dos clássicos do Specials, atenção pro Selecter, banda só de minas, Madness, Bodysnatchers e English Beats, entre outras. É só pepita!

The 2 Tone Collection - A Checkered Past (1993)

Disco 1
01 - Gangsters - The Special A.K.A.
02 - The Selecter - The Selecter
03 - The Prince - Madness
04 - On My Radio - The Selecter
05 - A Message To You - The Specials
06 - Nite Klub - The Specials
07 - Tears Of A Clown - The Beat
08 - Ranking Full Stop - The Beat
09 - Too Much Too Young - The Special A.K.A.
10 - Guns Of Navarone - The Special A.K.A.
11 - Three Minute Hero - The Selecter
12 - Let's Do Rock Steady - The Bodysnatchers
13 - Ruder Than You - The Bodysnatchers
14 - Missing Worlds - The Selecter
15 - Rat Race - The Specials
16 - Rude Boys Out Of Jail - The Specials
17 - Easy Life - The Bodysnatchers
18 - Too Experienced - The Bodysnatchers
19 - Stereotype - The Specials
20 - International Jet Set - The Specials
21 - Away - The Swinging Cats
22 - Mantovani - The Swinging Cats
23 - Sea Cruise - Rico
24 - Do Nothing - The Specials
25 - Maggie's Farm - The Specials

Disco 2
01 - Ghost Town - The Specials
02 - The Boiler - Rhoda
03 - Jungle Music - Rico
04 - The Feeling's Gone - The Apollinaires
05 - Tear The Whole Thing Down - The Higsons
06 - Ylang Ylang - The Higsons
07 - Envy The Love - The Apollinaires
08 - War Crimes (The Crime Remains The Same) - The Special A.K.A.
09 - Run Me Down - The Higsons
10 - Racist Friend - The Special A.K.A.
11 - Bright Lights - The Special A.K.A.
12 - Nelson Mandela - The Special A.K.A.
13 - Break Down The Door - The Special A.K.A.
14 - What I Like Most About You Is Your Girlfriend - The Special A.K.A.
15 - Window Shopping - The Friday Club
16 - The Alphabet Army - J.B.'s Allstars
17 - Raquel - The Specials
18 - Braggin' And Tryin'' Not To Lie - Roddy Radiation And The Specials
19 - Rude Boys Outa Jail - Neville Staples A.K.A. Judge Roughneck

Ouveaê!


segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Tom Zé - Estudando o Samba (1976)

Mais uma semana começa, e mais uma postagem clássica surge para vossa satisfação aqui no Ouveaê! Como eu não estou com muita imaginação hoje, peguei mais um disco essencial na coleção de qualquer interessado na música brasileña. Tom Zé, um dos grandes iconoclastas e inovadores da MPB, fez parte da galera que fez a Tropicália mas, gênio de gênio difícil, não seguiu o sucesso e a posterior acomodação dos medalhões Gil, Caetano e Gal. Boicotado pelo establishment da MPB, continou e está até hoje fazendo música da melhor qualidade nas beiradas da indústria musical, e ainda tem tempo para cuidar do jardim do prédio onde mora, em Higienópolis. Baiano radicado e adotado por São Paulo, fez da cidade inspiração.

Esta que talvez seja sua obra-prima, lançado em 1976, após o polêmico "Todos os Olhos" (o disco d bolinha de gude no CU), traz Tom Zé desconstruindo o ritmo brasileiro oficial, o samba, respaldado pelo sambista de raiz Elton Medeiros. Todos os sugêneros do samba são destrinchados e reduzidos à essência rítmica: bossa-nova, samba canção, samba de breque... Obra difícil, passou quase despercebida pela crítica na época do lançamento, e precisou um gringo interessado na música brasileira garimpar a bolacha num sebo qualquer de São Paulo para ganhar o reconhecimento merecido. Graças a David Byrne, o irriquieto líder do Talking Heads, que pirou com o disco e relançou nos EUA por sua própria gravadora. Foi aclamado pela crítica internacional, e só assim conseguiu ser ouvido com a atenção devida na terra natal do samba. Portanto, ouçam com carinho essa pequena jóia sonora. A letra da terceira faixa, Toc, resume o espírito da coisa. "Eu to explicando pra te confundir, to te confundindo pra te esclarecer".

Tom Zé - Estudando o Samba (1976)

01 - Mã (Tom Zé)
02 - A Felicidade (Tom Jobim / Vinicius de Moraes)
03 - Toc (Tom Zé)
04 - Tô (Élton Medeiros / Tom Zé)
05 - Vai (Menina Amanhã de Manhã) (Tom Zé / Perna)
06 - Ui (Você Inventa) (Tom Zé / Odair)
07 - Doi (Tom Zé)
08 - Mãe (Mãe Solteira) (Tom Zé / Élton Medeiros)
09 - Hein (Tom Zé / Vicente Barreto)
10 - Só (Solidão) (Tom Zé)
11 - Se (Tom Zé)
12 - Índice (Tom Zé / José Briamonte / Heraldo do Monte)

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Droppin' Science - Blue Note greatest samples from the Blue Note Lab (2008)



A seguinte idéia brotou de alguma mente iluminada da Blue Note Records: compilar faixas de funk jazz dos anos 60 e 70 que viraram bases clássicas de rap das 2 décadas seguintes. O resultado é Droppin' Science, 13 sons matadores que vão te deixar com o déjà vu atrás da orelha.

Das 13 faixas, o Ouveaê entrega duas pra começar a brincadeira: Jeremy Steig, em 'Howling For Judy', é o dono da flauta que abre 'Sure Shot' dos Beastie Boys décadas depois.
E com 'The Edge', os comparsas David McCallum e David Axelrod inspiraram Dr. Dre na base de 'The Next Episode' (que rolou muito nas baladas de SP tempos atrás).

Tem mais gente que se inspirou nestes sons para rimar em cima como De La Soul, A Tribe Called Quest, Cypress HIll, Run DMC e Notorious BIG. Mas não vamos estragar mais a brincadeira.

Um cara a ser destacado aqui é o saxofonista Lou Donaldson, que abre e fecha a compilação com dois funks elegantes, órgão hammond e uma guitarra esbanjando malandragem.

Droppin' Science - Blue Note greatest samples from the Blue Note Lab (2008)


1. Lou Donaldson – “It’s Your Thing”

2. Ronnie Foster – “Mystic Brew”

3. Donald Byrd – “Think Twice”

4. David McCallum/David Axelrod – “The Edge”

5. “Brother” Jack McDuff – “Oblighetto”

6. Joe Williams – “Get Out Of My Life, Woman”

7. Grant Green – “Down Here On The Ground”

8. Lonnie Smith – “Spinning Wheel”

9. Jeremy Steig – “Howling For Judy”

10. Lou Donaldson – “Who’s Making Love”


Ouveaê!

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

John Coltrane - A Love Supreme (1964)

Para embalar a "Music Monday" mando aqui esse que é talvez o mais belo registro sonoro do Jazz, som espiritual, para falar com a inteligência cósmica superior, feito por "Saint" John Coltrane, que de tão transcedental tem até igreja em sua glória na cidade de San Francisco. Muitos consideram esse disco de 1964 a obra-prima de Coltrane. Eu fico entre esse e Giant Steps, mas A Love Supreme é obrigatório para quem gosta de Jazz. Nesse álbum Coltrane ainda está com um pé no Post Bop de Giant Steps, Blue Train e outros discos anteriores, mas já está na direção do Free Jazz que marcaria o final da sua carreira, que acabou cedo, em 1967, com sua morte aos 41 anos por problemas hepáticos.

Respaldado por McCoy Tyner no piano, Jimmy Garrison no baixo e Elvin Jones na bateria, o sax tenor de Coltrane nunca foi tão profundamente insano quanto nas quatro faixas de A Love Supreme, que as vezes parecem ter uma estrutura mais convencional de jazz para se desfazerem em acordes dissonantes e liberdade rítimica e harmônica total. Enfim, ouçam aê e tentem sacar a descontrução musical operada por Saint John.

John Coltrane - A Love Supreme (1964)

01 - I - Acknowledgement
02 - II -Resolution
03 - III - Pursuance
04 - IV - Psalm

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Neil Young - Um Herói da Música

Nesta segunda-feira nublada gostaria de prestar uma homenagem ao mestre Neil Young, postando quatro dos seus discos fundamentais gravados entrre 1969 e 1974.


Neil Young é um dos grandes símbolos do que é o rock and roll. Nunca se vendeu, sempre colocou toda sua alma na guitarra e na voz rasgada. Começou nos anos 60, fazendo parte da lendária b
anda Buffalo Springfield. Se juntou ao Crosby Stills & Nash, onde produziu o clássico Deja Vu, em 1970. Mas é com a banda Crazy Horse que ele produziu seus discos mais roots. A Crazy Horse pode ser considerada a maior banda de boteco da História, produzinho um rock pesado, esfumaçado, climático. E as letras de Young, cheias de angústia, se tornaram a inspiração para qualquer moleque querendo se expressar por meio do Rock, tanto que ele se tornou uma espécie de padrinho do movimento grunge.

Em 1969 Young lançou o primeiro álbum com o Crazy Horse, o impecável Everybody Knows This Is Nowhere. Uma porrada recheada de jams viajantes e com guitarras pesando toneladas. A primeira faixa é a maravilhosa "Cinnamon Girl"

Neil Young & Crazy Horse - Everybody Knows This Is Nowhere (1969)


01 - Cinnamon Girl
02 - Everybody Knows This is Nowhere
03 - Round & Round (It Won't Be Long)
04 - Down By The River
05 - The Losing End (When You're On)
06 - Running Dry (Requiem for the Rockets)
07 - Cowgirl in the Sand


No ano seguinte, outro petardo: After The Gold Rush, mais calminho, calcado em canções com tempero Folk e Country

Neil Young - After the Gold Rush (1970)

01 - Tell Me Why
02 - After The Gold Rush
03 - Only Love Can Break Your Heart
04 - Southern Man
05 - Til The Morning Comes
06 - Oh Lonesome Me
07 - Don't Let It Bring You Down
08 - Birds
09 - When You Dance I Can Really Love
10 - I Believe in You
11 - Cripple Creek Ferry


Em 1972, após ter feito Deja Vu com o CSNY, Young lançou outro clássico: Harvest, com canções do quilate de Heart of Gold e The Needle and the Damage Done


Neil Young - Harvest (1972)

1. Out on the Weekend
2. Harvest
3. A Man Needs a Maid
4. Heart of Gold
5. Are You Ready for the Country?
6. Old Man
7. There’s a World
8. Alabama
9. The Needle and the Damage Done
10. Words (Between the Lines of Age)


Completando o quarteto de ouro, em 1974 ele lança On The Beach, outra coleção de belíssimas canções.

Neil Young - On the Beach (1974)

01 - Walk On
02 - See The Sky About To Rain
03 - Revolution Blues
04 - For The Turnstiles
05 - Vampire Blues
06 - On The Beach
07 - Motion Pictures
08 - Ambulance Blues


Neil Young fez ainda outros discassos, como Tonight's the Night, Zuma, e Rust Never Sleeps, recomendo todos, mas esses quatro aqui são o creme de la creme...

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Stevie Wonder - Innervisions (1973)


Mestre Stevie Wonder, um dos grandes músicos pop da história, estava no auge da criatividade artística em meados dos anos 70, e muitos consideram este o melhor de seus discos, superando outros clássicos como Talking Book (do hit Superstition) e Songs in the Key of Life. Todos são espetaculares (e tão linkados tb!), mas este realmente leva o troféu. Além da maravilhosa e clássica Higher Ground, o resto das músicas também é um soul music pra levantar até defunto. Sonzeraça! Sem falar nessa capa mutcho loca...

Stevie Wonder - Innervisions (1973)

01 - Too High
02 - Visions
03 - Living for the City
04 - Golden Lady
05 - Higher Ground
06 - Jesus Children of America
07 - All in Love is Fair
08 - Don't you Worry 'Bout a Thing
09 - He's Mistra Konow-It-All