terça-feira, 13 de julho de 2010
Cartola, o Bluesman do Brasil
"Gosto de fazer samba de dor de cotovelo, falando de mulher, de amor, de Deus, porque é isso que acho importante e acaba se tornando uma coisa importante"
O Blues e o Samba são duas manifestações distintas dos ritmos africanos que foram levados pelos escravos para as Américas. O blues se originou entre os negros trabalhadores agrícolas do sul dos Estados Unidos, em ambiente rural, mas só tomou sua forma final nos centros urbanos, como Nova Orleans, Memphis e Chicago. No Brasil deu-se o mesmo, e o samba como conhecemos se originou em Salvador e no Rio de Janeiro. Ambos também tem em comum o amálgama dos ritmos africanos com as melodias da música européia. E também compartilham a temática das músicas: amores perdidos, mulheres, Deus, saudades e a crônica da vida nas camadas mais baixas da sociedade. Mas o ritmo que surgiu nos trópicos do hemisfério sul é diferente do originário das áreas temperadas do hemisfério norte. O samba, por exemplo, é muito mais calcado na percursão dos tambores, pandeiros e tamborins, junto com o cavaquinho e o violão, este último o instrumento típico do blues.
E se existe um sambista que poderia muito bem ser um típico bluesman se seus antepassados tivessem sido levados para o delta do Mississipi e não para o Rio de Janeiro, este seria Angenor de Oliveira, o Cartola. Primeiro de oito filhos do casal Sebastião Joaquim de Oliveira e Aída Gomes de Oliveira, nasceu em 1908 no bairro do Catete, onde o pai era funcionário do Palácio Presidencial. Depois a família se mudou para Laranjeiras, e o menino Angenor (que deveria se chamar Agenor, mas foi vítima de erro do escrevente no cartório ao ser registrado), torcedor do Fluminense, o time do bairro, teve acesso à escola primária, algo raro para crianças negras na época. Também desde garoto ele brincava o carnaval nos ranchos e blocos de Laranjeiras. Mas a situação da família ficou difícil e em 1919 se mudaram para o Morro da Mangueira, na Zona Norte, onde então havia uma pequena favela, com menos de 50 barracos. Lá, o adolescente Angenor, já tendo largado da escola, se tornou protegido do grande sambista e malandro Carlos Cachaça. Foi trabalhar de pedreiro, e por usar um chapéu coco para proteger a cabeça do cimento, ganhou o apelido. Aos 17 anos, sua mãe morreu e os crescentes conflitos com o pai por causa de seu comportamento boêmio o levaram a sair de casa. Começou a viver na vadiagem, dormindo em vagões de trem, perambulando pela noite e frequentando prostíbulos, onde adquiriu uma variedade de doenças venéreas. Essa vida de malandragem o levou a se enfraquecer, e Cartola foi "adotado", por Deolinda, uma vizinha mais velha, com quem acabou se casando. Em 1925 criou, com Carlos Cachaça e outros malandros do morro, o Bloco dos Arengueiros, que três anos depois se tornou a Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira. Na década de 30 seus sambas começaram a fazer sucesso na voz de famosos cantores da época, como Mário Reis e Francisco Alves. Conheceu e ficou amigo de Noel Rosa, e juntos compuseram "Tenho um novo amor", gravada por Carmen Miranda. Vários de seus sambas foram levados pela Mangueira para os desfiles de Carnaval.
Em 1940, Cartola foi convidado pelo Maestro Heitor Villa-Lobos, juntamente com outros músicos como Donga, Jararaca e Ratinho, João da Baiana e Pixinguinha, para uma gravação de músicas dos diversos ritmos afro-brasileiros, encomendados pelo maestro americano Leopold Stokowski. A histórica gravação está hoje preservada no Registro Nacional de Gravações da Biblioteca do Congresso Norte-Americano. Nesta época Cartola tinha um programa de rádio chamado "A voz do morro", onde apresentava novos sambistas. Mas pouco após estas consagrações, veio a reviravolta trágica digna de um blues. Em 1947 brigou com a nova diretoria da Mangueira e deixou o morro. Pouco após, sua amada Deolinda morreu, e ele teve uma doença grave, provavelmente Meningite. Cartola sumiu do mapa, e muitos achavam que estivesse morto. Passou assim as próximas duas décadas, trabalhando em subempregos e entregue à bebida. Foi "salvo" pela segunda mulher da sua vida, Eusébia do Nascimento, a dona Zica, que o levou para morar com ela na Mangueira.
Mas o sambista Cartola só foi redescoberto em 1957, quando trabalhava de vigia e lavador de carros em um prédio de Ipanema. Foi reconhecido pelo jornalista Sérgio Porto, mais conhecido pela alcunha de Stanislaw Ponte Preta. Porto resolveu ajudar o sambista, em uma série de artigos divulgou que ele estava vivo, e o levou a fazer apresentações na rádio e em show. Na década de 60, com a ajuda de admiradores da Zona Sul carioca, Cartola e Dona Zica abriram o lendário bar Zicartola, no centro do Rio, que se tornou um dos principais locais de encontro dos sambistas de raiz com os jovens de classe média que naquela época desenvolviam a Bossa Nova. Apesar da programação musical impecável e os famosos quitutes preparados por dona Zica, o bar era mal administrado e fechou após apenas dois anos. Mas foi o suficiente para que, com parceiros como Élton Medeiros e o velho companheiro Carlos Cachaça, Cartola compusesse de improviso, no bar, duarante as noitadas, belíssimos clássicos como "O sol nascerá" e "Alvorada". A primeira fez parte do repertório do histórico concerto "Opinião", organizado por Nara Leão, que o tornou definitivamente conhecido pelo público mais jovem, de classe média.
Foi apenas em 1974, aos 66 anos, que Cartola gravou seu primeiro LP, graças aos esforços do pesquisador musical Marcus Pereira. Respaldado por excelentes músicos, como o violonista e arranjador Dino Sete Cordas, Cartola gravou uma impressionante coleção de algumas das mais belas músicas da história da música brasileira. Com letras de impecável português, equilibrando magistralmente elegância e emoção, tratando dos temas citados no começo deste post, ou seja, muita dor de cotovelo, corações partidos e uma "tristeza alegre", traduzida em músicas como "Tive Sim"(feita para dona Zica), "Corra e olhe o céu", "Quem me vê sorrindo", "Disfarça e chora", "Acontece", "alvorada" e "O Sol nascerá". Mesmo músicas aparentemente mais alegres, como as duas últimas, tinham um subtexto de tristeza comparáveis aos mais tristes blues. Em 1976, saiu seu segundo LP, que trazia outros clássicos como "As rosas não falam", "Senhora Tentação", a tristíssima "O mundo é um moinho" e a maravilhosa "Preciso de me encontrar", essa composta por Candeia. Cartola morreu em 1980, mas suas músicas viverão para sempre. Enquanto houver um coração partido, suas letras e suas melodias tristes farão sentido.
Cartola - Cartola (1974)
1 - Disfarça E Chora (Cartola - Dalmo Casteli)
2 - Sim (Cartola - Oswaldo Martins)
3 - Corra E Olhe O Céu (Cartola - Dalmo Casteli)
4 - Acontece (Cartola)
5 - Tive Sim (Cartola)
6 - O Sol Nascerá (Cartola - Elton de Medeiros)
7 - Alvorada (Cartola - Carlos Cachaça - Hermínio B. de Carvalho)
8 - Festa Da Vinda (Cartola - Nuno Veloso)
9 - Quem Me Vê Sorrindo (Cartola - Carlos Cachaça)
10 - Amor Proibido (Cartola)
11 - Ordenes E Farei (Cartola - Aluizio)
12 - Alegria (Cartola)
Ouveaê!
Cartola - Cartola (1976)
01 - O Mundo é um Moínho
02 - Minha
03 - Sala de Recepção
04 - Não Posso Viver Sem Ela
05 - Preciso Me Encontrar
06 - Peito Vazio
07 - Aconteceu
08 - As Rosas Não Falam
09 - Sei Chorar
10 - Ensaboa Mulata
11 - Senhora Tentação
12 - Cordas de Aço
Ouveaê!
terça-feira, 29 de junho de 2010
Gilberto Gil - Ao Vivo na Escola Politécnica da USP (1973)
Créditos para o Toque Musical
Gilberto Gil - Ao Vivo na Escola Politécnica da USP (1973)
gil fala
chicletes com banana
minha nêga na janela
senhor delegado
eu quero um samba
meio de campo
cálice
gil fala
o sonho acabou
ladeira da preguiça
expresso 2222
procissão
gil fala
domingo no parque
gil fala
umeboshi
objeto sim objeto não
gil fala
ele e eu
noite morena
cidade de salvador
iansã
eu só quero um xodó
edith cooper
back in bahia
filhos de gandhi
eu preciso aprender a só ser
cálice (final)
Ouveaê! Parte 1 - Parte 2
terça-feira, 8 de junho de 2010
Miles Davis - Ascenseur pour l'échafaud (1958)
Para continuar a toada de trilhas sonoras, aí vai mais uma clássica. Outro dia vi esse filme Ascenseur pour l'échafaud na casa da namorada. Obra de estreia do francês Louis Malle, trata-se de uma película na pegada film noir sobre um cara que tem um caso com a mulher do chefe e mata o patrão. Mas no meio da fuga tinha um elevador, e aí segue uma história cheia de reviravoltas. Bom filme, mas o que o tornou um clássico é a trilha sonora encomendada a ninguém menos que Miles Davis, que um ano antes de lançar 'Kind of Blue' já se aventurava pelas harmonias modais. O trumpete de Miles, respaldado por músicos franceses, cria o clima nos momentos mais acelerados e mais contidos do filme. Sonzeraça, e o filme é recomendadíssimo também.
Miles Davis - Ascenseur pour l'échafaud (1958)
domingo, 30 de maio de 2010
Tributo a Dennis Hopper - Easy Rider Orignal Soundtrack (1969)
O ano era 1969, e a geração hippie já havia revolucionado a política, os costumes, a música e as artes plásticas, mas em Hollywood eles ainda eram vistos como chapados abobados. Hopper, junto com os amigos Peter Fonda e Jack Nicholson, ajudados pelo mago dos filmes B Roger Corman, estavam tentando mudar isso. Após terem feito em parceria os psicodélicos, mas ainda pouco transgressores The Trip, Psych-out e Head, o trio se juntou para contar a história de dois motoqueiros hippies que, após se derem bem com uma venda de cocaína, pegam suas Harleys depenadas e caem na estrada, em busca do sonho de liberdade e do mito norte-americano que a liberdade se encontra pegando a estrada numa moto possante. Hopper dirigiu o filme e co-estrela, como Billy, ao lado de Peter Fonda, o Capitain America, e Jack Nicholson, o advogado alcoólatra e quadrado que eles encontram no caminho e pega carona na viagem, até o antológico e tristíssimo final.
Pois bem, quando Billy e Capitain America pegam a estrada uma música começa a tocar. A porrada guitarreira rock and roll do Steppenwolf que virou um dos maiores clássicos do rock: Born to be Wild. O restante da trilha sonora é uma coleção de pedradas rock que evocam o clima do filme, que mudou para sempre a indústria do cinema ao se tornar um grande sucesso de público e crítica rodado no underground, fora dos grandes estúdios. Diz a lenda que Hopper havia pensado em encomendar uma trilha original para o Crosby Stills Nash and Young, mas enquanto filmava, se deu conta que as músicas que ele ouvia na época tinham tudo a ver com o clima do filme. Além do Steppenwolf, que também colabora com a viajante e sensacional 'The Pusher', músicas de Jimmi Hendrix Experience, The Byrds e outras menos conhecidas mas também ótimas bandas, como Fraternity of Man, Electric Prunes e Holy Modal Rounders se encarregam de montar o pano de fundo musical para a aventura dos motoqueiros hippies.
Como é muito bem explicado no livro Easy Riders, Raging Bulls - Como a geração sexo drogas e rock and roll salvou Hollywood, de Peter Biskind, Easy Rider - Sem Destino foi o início da Hollywood que conhecemos hoje, abrindo caminho para Martin Scorcese e Francis Ford Coppola, a face mais séria da geração, e também para George Lucas e Steven Spielberg, que criaram o moderno blockbuster. Hopper fez personagens antológicos em Apocalypse Now, o épico de Coppola sobre a Guerra do Vietnã, e em Blue Velvet, obra-prima de David Lynch. Considerado a figura mais maluca de Hollywood, ele largou as drogas e o goró em meados dos anos 80 e apareceu em mais dezenas de filmes, alguns horríveis, dizendo que tinha uma política de nunca recusar um papel.
como aqui é um blog de música, fica a homenagem ao grande Dennis Hopper em forma da trilha original de Easy Rider
Easy Rider Orignal Soundtrack (1969)
02. Born To Be Wild - Steppenwolf
03. The Weight - Smith
04. Wasn't Born To Follow - The Byrds
05. If You Want To Be A Bird - The Holy Modal Rounders
06. Don't Bogart Me (AKA Don't Bogart That Joint) - Fraternity Of Man
07. If Six Was Nine - The Jimi Hendrix Experience
08. Kyrie Eleison/Mardi Gras (When The Saints) - The Electric Prunes
09. It's Alright Ma (I'm Only Bleeding) - Roger McGuinn
10. Ballad Of Easy Rider - Roger McGuinn
segunda-feira, 3 de maio de 2010
Arthur Verocai - Arthur Verocai (1972)
Nascido no Rio de Janeiro em 1945, Verocai era portanto um moleque de 13 anos quando a Bossa Nova varreu o mapa da música brasileira em 1958, com o disco "Chega de Saudade", de João Gilberto. Estudou música com gente como Roberto Menescal, e foi um dos principais proponentes do assim chamado samba-jazz. Arranjou discos como o clássico Carlos, Erasmo, do Tremendão, e de uma galera do quilate de Jorge Ben, Gal Costa, Tim Maia. Luiz Melodia e Leny Andrade, entre outros.
Em 1972 lançou o auto intitulado álbum, uma seminal junção da tropicália e do samba jazz com o soul e o funk americanos. Disco raríssimo, foi descoberto por rappers gringos gerou samples para raps de Ludacris, MF Doom e Lil Brother, entre outros. Relançado em vinil pelo selo gringo Luv N' Haight, fez com que o recluso carioca fosse a Los Angeles executar o disco na íntegra diante duma plateia extasiada. Nuts, que tocou com Madlib na noite anterior, se encarregou de fazer uma mixtape que junta músicas do mitológico disco com sons de outros artistas que foram arranjados por Verocai.
Então aí vai, primeiramente, o disco Arthur Verocai, de 1972, com link surrupiado do Original Pinheiros Style
Arthur Verocai - Arthur Verocai (1972)
.
1. Caboclo
2. Pelas Sombras
3. Sylvia
4. Presente Grego
5. Dedicado a Ela
6. Seriado
7. Na Boca do Sol
8. Velho Parente
9. O Mapa
10. Karina [Domingo no Grajau]
Ouveaê!
e a Mixtape do DJ Nuts:
Ouveaê!
segunda-feira, 19 de abril de 2010
O Pavement está de volta
Pavement - Slanted and Enchanted (1992)
O primeiro álbum do Pavement começa com a porrada "Summer Babe" e segue com outras pedradas, como Trigger Cut" e a fantástica "Loretta's Scars". Foi o disco que mudou a face do rock alternativo dos EUA ao abrir caminho para as experimentações lo-fi, com muita distorção e ruído por cima de melodias fofas e letras surreais.
01 - Summer Babe
02 - Trigger Cut
03 - No Life Singed Her
04 - In the Mouth a Desert
05 - Conduit for Sale!
06 - Zurich is Stained
07 - Chesley's Little Wrists
08 - Loretta's Scars
09 - Here
10 - Two States
11 - Perfume V
12 - Fame Throwa
13 - Jackals, False Grails: The Lonesome Era
14 - Our Singer
Ouveaê!
Pavement - Crooked Rain, Crooked Rain (1994)
Dois anos depois, com um baterista menos frito, o Pavement sobreviveu bem à "maldição do segundo disco". Menos experimental e mais pop, mas nem tanto, Crooked Rain, Crooked Rain trazia o hit "Cut Your Hair", que ganhou o videoclipe sensacional.
01 - Silence Kit
02 - Elevate Me Later
03 - Stop Breathin’
04 - Cut Your Hair
05 - Newark Wilder
06 - Unfair
07 - Gold Soundz
08 - 5-4=Unity
09 - Range Life
10 - Heaven Is a Truck
11 - Hit the Plane Down
12 - Fillmore Jive
Ouveaê!
quarta-feira, 7 de abril de 2010
Música na cadeia
Não estava conseguindo pensar em um disco pra por aqui, mas ontem na madruga voltando pra casa após a cerca frango no carro do Erick, tocou na Mitsubishi FM a sensacional "Cocaine Blues", do grande Johnny Cash, e percebi que estava faltando aqui o discaço do homem gravado em 1968 na prisão californiana de Folsom, um dos grandes clássicos do badass country. Lembrei também que outro grande, o blueseiro BB King, também havia gravado um disco na cadeia, nesse caso na Cook County Jail, perto de Chicago. Portanto aí vai uma dobradinha de discos clássicos gravados ao vivo perante uma plateia formada por assassinos, assaltantes, estelionatários, traficantes, estupradores... enfim, tudo gente fina.
Johnny Cash - At Folsom Prison (1968)
Muitos (eu inclusive) torcem o nariz para esse estilo, mas muitos (eu inclusive), dizem: "eu não gosto de country, mas johnny cash detona!". Pois é, o cara era fodão. O grande lance de Cash foi juntar as melodias country à rebeldia do rock and roll, afinal ele foi uma das crias da Sun Records, de Memphis, que lançou também nomes como Carl Perkins, Jerry Lee Lewis e um certo Elvis Presley. Em 1968 Johnny Cash já era um astro da música country americana, tinha se casado com a ex-cantora mirim June Carter e tentava se livrar do vício em remédios (tudo bem retratado na cinebiografia Johhny e June). Para se purificar, o homem agendou essa apresentação na infame prisão californiana. No setlist, só música sobre bandidagem, morte, cadeia, drogas, redenção, e claro, mulher. Ainda na Sun Records, o primeiro sucesso lançado por Cash foi "Folsom Prison Blues", que, após a clássica introdução "Hello, I'm Johnny Cash", abre a apresentação para delírio da bandidagem. Seguem pepitas como a já citada "Cocaine Blues" ("i took a shot of cocaine and I shot my woman down".. badass!), "25 minutes to go" (que narra os últimos momentos de um homem no corredor da morte), "I got stripes", "Orange blossom special" e "Jackson", esta em dueto com a esposa June. A energia da platéia criminosa e a maestria de Cash em domar essa energia, que poderia fácil virar uma rebelião, dão o tom do disco.
Johnny Cash - At Folsom Prison (1968)
01 - Folsom Prison Blues
02 - Busted
03 - Dark as a Dungeon
04 - I Still Miss Someone
05 - Cocaine Blues
06 - 25 Minutes to Go
07 - Orange Blossom Special
08 - The Long Black Veil
09 - Send a Picture of Mother
10 - The Wall
11 - Dirty Old Egg-Suckin’ Dog
12 - Flushed from the Bathroom of Your Heart
13 - Joe Bean
14 - Jackson
15 - Give My Love to Rose
16 - I Got Stripes
17 - The Legend of John Henry’s Hammer
18 - Green, Green Grass of Home
19 - Greystone Chapel
quarta-feira, 31 de março de 2010
Fania All Stars - Live at the Yankee Stadium (1976)

Fania All Stars é um ensemble de músicos criado pela Fania Records, tradicionalíssima gravadora de salsa que reuniu por décadas os melhores salseros do mundo. A banda era formada pelo lendário cantor porto-riquenho Héctor Lavoe (“El Cantante de los Cantantes”), o trombonista Willie Colón, o percursionista e maestro Tito Puente, a cantora cubana Celia Cruz, Rubén Blades (o poeta da salsa), Cheo Feliciano, Bobby Vantentín, o guitarrista mexicano Jorge Santana (irmão menor da fera) entre outros, comandados pelo maestro dominicano Johnny Pacheco. A maioria dos músicos da banda fizeram sucesso depois com carreiras solo e ganharam vários Grammys de música latina.
O grupo foi criado nos anos 60 e teve seu auge nos anos 70. Além de terem revolucionado a salsa (um estilo musical recente, que só começou a ser chamado assim na época da Fania), os músicos da banda formavam uma turminha da pesada. Uma das canções chama-se "Lluvia y nieve", uma alusão ao combustível das baladas que eles faziam - respectivamente, álcool e cocaína. Héctor Lavoe foi um dos que se deram mal nessa história: viciado em heroína, entrou em depressão, tentou se matar, ficou paraplégico e pegou AIDS. Saravá.
A crème de la crème da banda é sem dúvida a performance ao vivo. Eles lotaram lotaram locais como o Cheetah Lounge e o Yankee Stadium em Nova York, além de mega shows no Teatro Carlos Marx em Cuba e em Porto Rico. Também participaram do festival de música de Kinshasha, no Zaire, que antecedeu à lendária luta de Muhammed Ali e George Foreman (tudo devidamente documentado no filme "Soulpower").
Aos não iniciados na salsa, recomenda-se beliscar este vídeo, gravado no Zaire, como aperitivo...
Aos que gostaram e querem mais, aí vai o álbum gravado ao vivo durante o show no Yankee Stadium, very very good! Ou como dizem os próprios, "echale semilla a la maraca pa' que suene"!
Ouveae1!
Ouveae2!
sexta-feira, 12 de março de 2010
Ave Sangria - Ave Sangria (1974)
01. Dois Navegantes
02. Lá Fora
03. Três Margaridas
04. O Pirata
05. Momento na Praça
06. Cidade Grande
07. Seu Waldir
08. Hei! Man
09. Por Que?
10. Corpo em Chamas
11. Geórgia, a Carniceira
12. Sob o Sol de Satã
Ouveaê!
terça-feira, 9 de março de 2010
Rashaan Roland Kirk - Rip, Rig and Panic (1965)
Outro discasso apresentado pelo mestre Brunoise, essa pepita de Rashaan Roland Kirk é descrito por alguns como o "Punk-jazz" da época. O saxofonista Roland Kirk, que depois acrescentou o Rashaan ao nome, é uma das figuras mais malucas da história do jazz. Ficou cego aos dois anos de idade, e como muitos outros deficientes visuais, desenvolveu extremo talento musical. Uma de suas marcas registradas é tocar dois saxofones ao mesmo tempo (!), além de criar seus próprios instrumentos. Mas além das excentricidades, Kirk é conhecido pelo completo domínio da técnica e pela inesgotável capacidade de improvisação no instrumento. Neste disco de 1965 ele entrega uma performance altamente energética, respaldado por um quarteto que quebra tudo na parte rítmica, graças em grande parte ao baterista Elvin Jones. Os solos altamente improvisados de Kirk se encarregam de acabar de quebrar tudo. Portanto, em uma palavra,QUEBRADEIRA!
Rashaan Roland Kirk - Rip, Rig and Panic (1965)
1. No Tonic Press
2. Once in a While
3. From Bechet, Byas, And Fats
4. Mystical Dreams
5. Rip, Rig and Panic
6. Black Diamonds
7. Slippery, Hippery, Flippery
Ouveaê!
terça-feira, 2 de março de 2010
Ez3kiel - Versus Tour (2004)
Se você prestar atenção na música que dá nome ao disco vai sentir a mistura entre as imagens e o som propostas pelo trio francês: cada nome que é cantado estimula uma reação no ouvinte, mesmo que seja algo distante de nossas realidades. O disco continua assim, ao vivo, fazendo uma bela cama para o final apoteótico e arrepiante com Requiem.
Ez3kiel - Versus Tour (2004)
1- Versus
2- How do you sleep
3- Phantom Land
4- Via Live
5- Handle
6- Barb4ry
7- Strange Days
8- Lac des Signes
9- 3 Rue Monplaisir
10- Sûrement
11- Jah´s Hardcore
12- Requiem
ouveaê!
segunda-feira, 1 de março de 2010
Miles Davis - In a Silent Way (1969)
A segunda-feira nublada, fria e garoenta em São Paulo pede um disco com esse clima melancólico e ao mesmo tempo etéreo. Em 1969 Miles Davis já tinha revolucionado o jazz mais de uma vez. Já havia ajudado a criar o Cool Jazz, o Jazz Modal, o Hard Bop e neste álbum cujo título diz tudo, ele começa o que talvez seja sua maior revolução: o Fusion.
1969 foi o ano de Woodstock, e Davis estava na época fascinado pela música de Jimi Hendrix. A influência de Hendrix seria mais sentida no disco seguinte, o também revolucionário Bitches Brew. Neste In a Silent Way, Miles se juntou com mais sete jovens músicos, se afastando do seu clássico quinteto que fez, entre outros, Kind of Blue.
Entre estes jovens músicos estavam os pianistas/tecladistas Herbie Hancock, Chick Correa e Joe Zawinul, o saxofonista Wayne Shorter e o guitarrista John McLaughlin. Das sessões gravados com esse octeto surgiu, através da parceria de Miles com o produtor Teo Macero, álbum. Os dois fizeram uma verdadeira alquimia de estúdio para gerar as duas longas sessões de improvisação quase telepática que geraram as duas faixas, um de cada lado do disco: Shhh/Peaceful e In a Silent Way/It's About That Time. É free-jazz, no sentido que se desprende quase totalmente da estrutura clássica do jazz, e é também o prenúncio do Fusion.
Se a música só faz sentido em contraste com o silêncio, esse disco silencioso é um dos sons mais transcendentes e etéreos (dá-lhe adjetivos chapados) já produzidos. Uma viagem que combina como poucas com o clima nublado.
Miles Davis - In a Silent Way (1969)
01 - Shhh/Peaceful
02 - In a Silent Way/It's About That Time
Ouveaê!
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
Built to Spill - Keep it Like a Secret (1999)
My Bloody Valentine - Loveless (1991)
Iniciados oficialmente os ANOS 10, termina também oficialmente o período de nostalgia dos anos 80 e começamos a relembrar os NINETIES, que convenhamos, foram muito melhores, principalmente na música. Embora valorosas bandas como Pixies e Sonic Youth, entre outras, mantessem vivo o espírito do rock alternativo nos 80s, foi na década seguinte que o tal do INDIE ROCK explodiu, e 1991 foi 'the year that punk broke', onde foram lançados, por exemplo, o Nevermind, do Nirvana, Ten, do Pearl Jam, Bloodsugarsexmagik do Red Hot Chilli Peppers e Scramadelica, do Primal Scream.
Mas talvez o melhor disco lançado neste ano foi este Loveless, obra-prima do chamado SHOEGAZE. Obra dos irlandeses do My Bloody Valentine, Loveless influenciou toda uma geração de moleques que empunhavam guitarras distorcidas e dançavam olhando para o chão.
Por mais que você, mundrugo brasileiro que gosta de música animada, torça o nariz para essas INDIEZICES, recomendo ouvir esse disco com a devida atenção. Trata-se de uma obra-prima ,que demorou mais de dois anos para ser feita e quase levou o lendário selo Creation à falência. Faixas como Only Shallow, Loomer, When You Sleep e To Here Knows When possuem uma textura de arranjos psicodélicos e distorção sensual que servem de base aos vocais do gênio Kevin Shields e de Blinda Butcher. Como diz a resenha do Allmusic, o disco transpira "druggy sex or sexy drugs".
My Bloody Valentine - Loveless (1991)
01 - Only Shallow
02 - Loomer
03 - Touched
04 - To Here Knows When
05 - When You Sleep
06 - I Only Said
07 - Come In Alone
08 - Sometimes
09 - Blown A Wish
10 - What You Want
11 - Soon
Ouveaê!
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
John Zorn - Naked City (1989)
Já tinha ouvido falar deste maluco chamando JOHN ZORN pelo amigo Brunoise, mas nunca tinha ouvido com a devida atenção. Hoje resolvi baixar esse Naked City, sonzera das GRANDES. Basicamente, é "Jazz de Vanguarda meets Hardcore", ou o único Jazz possível de se fazer no início dos anos 90. O saxofonista nova-iorquino Zorn é um dos músicos mais prolíficos das últimas décadas, tendo lançado mais de 100 discos desde o início dos anos 80, muitos excelentes, e esse é uma boa amostra do som do cara. Além de composições próprias, traz versões de alta voltagem para temas de filmes como Batman, Chinatown e peças de Henry Mancini e Enio Moriccone, além de uma cover de seu ídolo e mestre do Free Jazz Ornette Coleman. A banda de apoio segura bem a incontrolável energia de Zorn.
A começar pelo nome e pela capa, com um corpo de um homem baleado em Nova York, é um disco de jazz que transpira o clima acelerado, violento e vibrante de NY e das metrópoles em geral no início das últimas décadas do século 20.
Ouveaê!
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
Rafael Rabello & Dino 7 Cordas (1991)
Jorginho do Pandeiro - pandeiro
Celsinho Silva - percussão
Neco - cavaquinho
03 - Escovado (Ernesto Nazareth)
04 - Alma de Violinos (Lamartine Babo / Alcyr Pires Vermelho)
05 - Um a Zero (Pixinguinha / Benedito Lacerda)
06 - Odeon (Ernesto Nazareth)
07 - Sons de Carrilhões (João Pernambuco)
08 - Segura Ele (Pixinguinha / Benedito Lacerda)
09 - Desvairada (Garoto)
11 - Sonho de Magia (João Pernambuco)
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
Curtis Mayfield - Superfly (1972)
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
Louis Armostrong - The Complete Hot Five and Hot Seven Recordings
Track Listing (Disc 1): Gut Bucket Blues; My Heart; Yes I'm In The Barrel; Come Back Sweet Papa; Georgia Grind; Heebie Jeebies; Cornet Chop Suey; Oriental Strut; Your Next; Muskrat Ramble; Don't Forget To Mess Around; I'm Gonna Gitcha; Droppin' Shucks; Who'zit; King Of The Zulus; Big Fat Mama And Skinny Pa; Lonesome Blues; Sweet Little Papa; Jazz Lips; Skid-Dat-De-Dat; Sunset Cafetomp; You Made Me Love You; Irish Black Bottom. (Total Time: 68:35).
Track Listing (Disc 2): Put'em Down Blues; Ory's Creole Trombone; The Last Time; Struttin' With Some Barbecue; Got No Blues; Once In Awhile; I'm Not Rough; Hotter Than That; Savoy Blues; He Likes It Slow; Gambler's Dream; Sunshine Baby; Adam And Eve Had The Blues; Put It Where I Can Get It; Wash Woman Blues; I've Stopped My Man; Georgia Bo Bo; Drop That Sack; Drop That Sack; Cornet Chop Suey. (Total Time: 61:27).
Track Listing (Disc 3): Willie The Weeper; Wild Man Blues; Alligator Crawl; Potato Head Blues; Melancholy Blues; Weary Blues; Gully Low Blues; That's When I'll Come Back To You; Chicago Breakdown; Weary Blues; New Orleans Stomp; Wild Man Blues; Wild man Blues; Melancholy Blues; Melancholy Blues; You're A Real Sweetheart; Too Busy; Was It A Dream; Last Night I Dreamed I Kissed You. (Total Time: 68:20).
Track Listing (Disc 4): Fireworks; Skip The Gutter; A Monday Date; Don't Jive Me; West End Blues; Sugar Foot Strut; Two Deuces; Squeeze Me; Knee Drops; No (No, Papa, No); Basin Street Blues; No One Else But You; Beau Koo Jack; Save It, Pretty Mama; Muggles; Hear Me Talking To You; St. James Infirmary; Tight Like This. (Total Time: 73:53).
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
Jackson do Pandeiro - Sua Majestade - O Rei do Ritmo (1960)
Depois de uma leva de posts de discos gringos, nada mais justo que colocar aqui um disco emblemático de um dos maiores e mais influentes músicos da História da Música Popular Brasileira. 









