quarta-feira, 31 de março de 2010

Fania All Stars - Live at the Yankee Stadium (1976)



Fania All Stars é um ensemble de músicos criado pela Fania Records, tradicionalíssima gravadora de salsa que reuniu por décadas os melhores salseros do mundo. A banda era formada pelo lendário cantor porto-riquenho Héctor Lavoe (“El Cantante de los Cantantes”), o trombonista Willie Colón, o percursionista e maestro Tito Puente, a cantora cubana Celia Cruz, Rubén Blades (o poeta da salsa), Cheo Feliciano, Bobby Vantentín, o guitarrista mexicano Jorge Santana (irmão menor da fera) entre outros, comandados pelo maestro dominicano Johnny Pacheco. A maioria dos músicos da banda fizeram sucesso depois com carreiras solo e ganharam vários Grammys de música latina. 

O grupo foi criado nos anos 60 e teve seu auge nos anos 70. Além de terem revolucionado a salsa (um estilo musical recente, que só começou a ser chamado assim na época da Fania), os músicos da banda formavam uma turminha da pesada. Uma das canções chama-se "Lluvia y nieve", uma alusão ao combustível das baladas que eles faziam - respectivamente, álcool e cocaína. Héctor Lavoe foi um dos que se deram mal nessa história: viciado em heroína, entrou em depressão, tentou se matar, ficou paraplégico e pegou AIDS. Saravá.

A crème de la crème da banda é sem dúvida a performance ao vivo. Eles lotaram lotaram locais como o Cheetah Lounge e o Yankee Stadium em Nova York, além de mega shows no Teatro Carlos Marx em Cuba e em Porto Rico. Também participaram do festival de música de Kinshasha, no Zaire, que antecedeu à lendária luta de Muhammed Ali e George Foreman (tudo devidamente documentado no filme "Soulpower").

Aos não iniciados na salsa, recomenda-se beliscar este vídeo, gravado no Zaire, como aperitivo...



Aos que gostaram e querem mais, aí vai o álbum gravado ao vivo durante o show no Yankee Stadium, very very good! Ou como dizem os próprios, "echale semilla a la maraca pa' que suene"!

Ouveae1!
Ouveae2!

sexta-feira, 12 de março de 2010

Ave Sangria - Ave Sangria (1974)



A banda que escandalizou a Recife de 1974, da mesma forma que os Rolling Stones a Londres de dez anos antes, a Ave Sangria era conhecida como os Stones do Nordeste.

Primeiramente chamada de Tamarineira Village, a banda faz um som psicodélico que me lembra muito o Secos & Molhados, principalmente pelas variaçoes entre as musicas, que partem de um sambinha "suspeito" (Seu Waldir) e culminam em fritaçoes como Tres Margaridas, com uso de vocais androginos, oscilaçoes de frequencia e guitarra elétrica que batem forte na cabeça.

Pra se ter uma idéia dos tipos que compunham a banda, cito aqui um "causo" que ganhou fama, quando Rafles, um dos integrantes do Ave Sangria, enviou pelo correio, um reforçado baseado, em legítimo papel Colomy, para Paul McCartney. Meses depois, ele recebeu a resposta do Beatle: uma foto autografada como agradecimento.

Foi o mesmo figura quem propôs o nome Tamarineira Village, quando o grupo tomou uma forma definitiva, com a entrada do cantor e letrista Marco Polo, logo depois da I Feira Experimental de Música de Fazenda Nova.

O disco em questao viria com a indicação da banda, pelo empresário dos Novos Baianos, à Continental, a primeira gravadora a apostar no futuro do rock nacional. Antecipando a gozação por serem nordestinos, os integrantes da banda chegaram no estúdio Hawai, na Avenida Brasil, Rio, todos de peixeira na mão: "Falamos para o pessoal ter cuidado, porque a gente vinha da terra de Lampeão", relembra Almir Oliveira. Foi um dos poucos momentos de descontração da banda. Com exceção de Marco Polo, nenhum dos integrantes conhecia o Rio e jamais haviam entrado num estúdio de gravação.

Mesmo pouco divulgado, o disco conseguiu relativo sucesso no Sudeste, e vendeu bastante em alguns Estados do Nordeste. Uma das músicas que fizeram mais sucesso, e polêmica, foi o samba-choro Seu Waldir. "Seu Waldir o senhor/ Machucou meu coração/ Fazer isto comigo, seu Waldir/ Isto não se faz não... Eu quero ser o seu brinquedo favorito/ Seu apito/ Sua camisa de cetim..." Numa época em que a androginia tornava-se uma vertente da música pop. Seu Waldir por pouco não vira mito. Uns diziam que era um senhor que morava em Olinda, pelo qual o vocalista do Ave Sangria apaixonara-se. Outros, que se tratava de um jornalista homônimo. Enfim, acreditava-se que o tal Waldir era um personagem de carne e osso. No fim das contas, o Departamento de Censura da Polícia Federal acabou proibindo o LP e determinou seu recolhimento em todo território nacional.

O disco foi relançado sem a faixa maldita, mas aí o interesse da mídia pelo grupo já havia passado. A Globo, por exemplo, desistiu de veicular o clipe feito para o Fantástico, com a música Geórgia A Carniceira. Nao por coincidencia, como um dos fatores que levaram ao fim os Novos Baianos, os caras tinham a grana curta, alguns ja com filhos, e nao conseguiam levar a vida como banda, que faz o seu ultimo show em dezembro de 74, mas que ainda hoje é ouvida e eu tenho o prazer de lhes apresentar.

Faixas:


01. Dois Navegantes

02. Lá Fora

03. Três Margaridas

04. O Pirata

05. Momento na Praça

06. Cidade Grande

07. Seu Waldir

08. Hei! Man

09. Por Que?

10. Corpo em Chamas

11. Geórgia, a Carniceira

12. Sob o Sol de Satã


Ouveaê!

terça-feira, 9 de março de 2010

Rashaan Roland Kirk - Rip, Rig and Panic (1965)


Outro discasso apresentado pelo mestre Brunoise, essa pepita de Rashaan Roland Kirk é descrito por alguns como o "Punk-jazz" da época. O saxofonista Roland Kirk, que depois acrescentou o Rashaan ao nome, é uma das figuras mais malucas da história do jazz. Ficou cego aos dois anos de idade, e como muitos outros deficientes visuais, desenvolveu extremo talento musical. Uma de suas marcas registradas é tocar dois saxofones ao mesmo tempo (!), além de criar seus próprios instrumentos. Mas além das excentricidades, Kirk é conhecido pelo completo domínio da técnica e pela inesgotável capacidade de improvisação no instrumento. Neste disco de 1965 ele entrega uma performance altamente energética, respaldado por um quarteto que quebra tudo na parte rítmica, graças em grande parte ao baterista Elvin Jones. Os solos altamente improvisados de Kirk se encarregam de acabar de quebrar tudo. Portanto, em uma palavra,QUEBRADEIRA!

Rashaan Roland Kirk - Rip, Rig and Panic (1965)

1. No Tonic Press
2. Once in a While  
 3. From Bechet, Byas, And Fats
 4. Mystical Dreams
 5. Rip, Rig and Panic
 6. Black Diamonds
 7. Slippery, Hippery, Flippery

Ouveaê!

terça-feira, 2 de março de 2010

Ez3kiel - Versus Tour (2004)



Se você prestar atenção na música que dá nome ao disco vai sentir a mistura entre as imagens e o som propostas pelo trio francês: cada nome que é cantado estimula uma reação no ouvinte, mesmo que seja algo distante de nossas realidades. O disco continua assim, ao vivo, fazendo uma bela cama para o final apoteótico e arrepiante com Requiem.



Ez3kiel - Versus Tour (2004)
1- Versus
2- How do you sleep
3- Phantom Land
4- Via Live
5- Handle
6- Barb4ry
7- Strange Days
8- Lac des Signes
9- 3 Rue Monplaisir
10- Sûrement
11- Jah´s Hardcore
12- Requiem

ouveaê!

segunda-feira, 1 de março de 2010

Miles Davis - In a Silent Way (1969)


A segunda-feira nublada, fria e garoenta em São Paulo pede um disco com esse clima melancólico e ao mesmo tempo etéreo. Em 1969 Miles Davis já tinha revolucionado o jazz mais de uma vez. Já havia ajudado a criar o Cool Jazz, o Jazz Modal, o Hard Bop e neste álbum cujo título diz tudo, ele começa o que talvez seja sua maior revolução: o Fusion.

1969 foi o ano de Woodstock, e Davis estava na época fascinado pela música de Jimi Hendrix. A influência de Hendrix seria mais sentida no disco seguinte, o também revolucionário Bitches Brew. Neste In a Silent Way, Miles se juntou com mais sete jovens músicos, se afastando do seu clássico quinteto que fez, entre outros, Kind of Blue.


Entre estes jovens músicos estavam os pianistas/tecladistas Herbie Hancock, Chick Correa e Joe Zawinul, o saxofonista Wayne Shorter e o guitarrista John McLaughlin. Das sessões gravados com esse octeto surgiu, através da parceria de Miles com o produtor Teo Macero, álbum. Os dois fizeram uma verdadeira alquimia de estúdio para gerar as duas longas sessões de improvisação quase telepática que geraram as duas faixas, um de cada lado do disco: Shhh/Peaceful e  In a Silent Way/It's About That Time. É free-jazz, no sentido que se desprende quase totalmente da estrutura clássica do jazz, e é também o prenúncio do Fusion.

Se a música só faz sentido em contraste com o silêncio, esse disco silencioso é um dos sons mais transcendentes e etéreos (dá-lhe adjetivos chapados) já produzidos. Uma viagem que combina como poucas com o clima nublado.

Miles Davis - In a Silent Way (1969)

01 - Shhh/Peaceful
02 - In a Silent Way/It's About That Time

Ouveaê!

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Built to Spill - Keep it Like a Secret (1999)




Ainda na pegada 90s, uma banda que sintetiza década inteira. Muito lo-fi, grunge, indie e guitarreira alta.

Built to Spill - Keep it Like a Secret (1999)

01 - The Plan
02 - Center of the Universe
03 - Carry the Zero
04 - Sidewalk
05 - Bad Light
06 - Time Trap
07 - Else
08 - You Were Right
09 - Temporarily Blind
10 - Broken Chairs

My Bloody Valentine - Loveless (1991)


Iniciados oficialmente os ANOS 10, termina também oficialmente o período de nostalgia dos anos 80 e começamos a relembrar os NINETIES, que convenhamos, foram muito melhores, principalmente na música. Embora valorosas bandas como Pixies e Sonic Youth, entre outras, mantessem vivo o espírito do rock alternativo nos 80s, foi na década seguinte que o tal do INDIE ROCK explodiu, e 1991 foi 'the year that punk broke', onde foram lançados, por exemplo, o Nevermind, do Nirvana, Ten, do Pearl Jam, Bloodsugarsexmagik do Red Hot Chilli Peppers e Scramadelica, do Primal Scream.

Mas talvez o melhor disco lançado neste ano foi este Loveless, obra-prima do chamado SHOEGAZE. Obra dos irlandeses do My Bloody Valentine, Loveless influenciou toda uma geração de moleques que empunhavam guitarras distorcidas e dançavam olhando para o chão.

Por mais que você, mundrugo brasileiro que gosta de música animada, torça o nariz para essas INDIEZICES, recomendo ouvir esse disco com a devida atenção. Trata-se de uma obra-prima ,que demorou mais de dois anos para ser feita e quase levou o lendário selo Creation à falência. Faixas como Only Shallow, Loomer, When You Sleep e To Here Knows When possuem uma textura de arranjos psicodélicos e distorção sensual que servem de base aos vocais do gênio Kevin Shields e de Blinda Butcher. Como diz a resenha do Allmusic, o disco transpira "druggy sex or sexy drugs".

My Bloody Valentine - Loveless (1991)


01 - Only Shallow
02 - Loomer
03 - Touched
04 - To Here Knows When
05 - When You Sleep
06 - I Only Said
07 - Come In Alone
08 - Sometimes
09 - Blown A Wish
10 - What You Want
11 - Soon

Ouveaê!

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

John Zorn - Naked City (1989)


Já tinha ouvido falar deste maluco chamando JOHN ZORN pelo amigo Brunoise, mas nunca tinha ouvido com a devida atenção. Hoje resolvi baixar esse Naked City, sonzera das GRANDES. Basicamente, é "Jazz de Vanguarda meets Hardcore", ou o único Jazz possível de se fazer no início dos anos 90. O saxofonista nova-iorquino Zorn é um dos músicos mais prolíficos das últimas décadas, tendo lançado mais de 100 discos desde o início dos anos 80, muitos excelentes, e esse é uma boa amostra do som do cara. Além de composições próprias, traz versões de alta voltagem para temas de filmes como Batman, Chinatown e peças de Henry Mancini e Enio Moriccone, além de uma cover de seu ídolo e mestre do Free Jazz Ornette Coleman. A banda de apoio segura bem a incontrolável energia de Zorn.
A começar pelo nome e pela capa, com um corpo de um homem baleado em Nova York, é um disco de jazz que transpira o clima acelerado, violento e vibrante de NY e das metrópoles em geral no início das últimas décadas do século 20.

Ouveaê!

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Rafael Rabello & Dino 7 Cordas (1991)



Segunda-feira de correria, vou colocar esse discão de dois dos maiores violonistas da históriadesse país fazendo clássicos de Pixinguinha, Garoto, Ernesto Nazareth, João Pernambuco, entre outros. Para acalmar qualquer estressado.

abaixo informações e link surrupiados do discos,etc



Momento histórico do violão brasileiro. Encontro entre Dino 7 Cordas (Horondino José da Silva, companheiro de Jacob do Bandolim no conjunto Época de Ouro) e Raphael Rabello, um virtuose de personalidade inconfundível. Possuía o que hoje se costuma chamar de assinatura musical, um traço distintivo.

Temas de Pixinguinha, Garoto, Benedito Lacerda, Ernesto Nazareth, Alcyr Pires Vermelho e Lamartine Babo interpretados de forma afiada e criativa. Sem esquecer as músicas de João Pernambuco, um nome injustamente pouco lembrado. O musicólogo Mozart de Araújo entende que as composições para violão de João Pernambuco têm a mesma importância para a música brasileira que as composições para piano de Ernesto Nazareth.

Raphael Rabello morreu alguns anos após o lançamento desse disco, mas gravações como Desvairada, do compositor Garoto, mostram o instrumentista no auge.

Dino 7 Cordas - violão 7 cordas, arranjos
Rafael Rabello - violão, arranjos
Jorginho do Pandeiro - pandeiro
Celsinho Silva - percussão
Neco - cavaquinho

01 - Conversa de Botequim (Noel Rosa)
02 - Jongo (João Pernambuco)
03 - Escovado (Ernesto Nazareth)
04 - Alma de Violinos (Lamartine Babo / Alcyr Pires Vermelho)
05 - Um a Zero (Pixinguinha / Benedito Lacerda)
06 - Odeon (Ernesto Nazareth)
07 - Sons de Carrilhões (João Pernambuco)
08 - Segura Ele (Pixinguinha / Benedito Lacerda)
09 - Desvairada (Garoto)
10 - Graúna (João Pernambuco)
11 - Sonho de Magia (João Pernambuco)

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Curtis Mayfield - Superfly (1972)

1972, o movimento pelos direitos civis dos negros norte-americanos já era notícia velha, da década anterior, o black power já estava consolidado. O que não quer dizer que a vida dos african americans tenha melhorado muito. 1972, o entusiasmo hippie pelas drogas alteradoras de consciência já estava na fase da ressaca, e a criminalidade relacionado ao tráfico de drogas nas grandes cidades dos EUA crescia. 1972, um novo sugênero cinematográfico, o BLAXPLOITATION, filmes com temática violenta e personagens do submundo negro, começava a fazer sucesso.

Todos esses fatores levaram à criação desta obra-prima da black music. Curtis Mayfield, veterano soulman identificado com o movimento dos direitos civis, autor de pedradas como People Get Ready e Move on Up, foi chamado pelo diretor Gordon Parks Jr. para fazer a trilha sonora de um filme sobre um traficante de cocaína que começa a refletir que o caminho que segue vai levá-lo ou à cadeia ou ao cemitério em pouco tempo.

E Mayfield fez uma das melhores trilhas sonoras da história, responsável por colocar esse filme nas enciclopédias de história do cinema como principal representante do Blaxplotation. As músicas, de uma pegada groove-hipnótica insana, contam as histórias do filme sem apelar para o paternalismo ou glorificação da criminalidade, tampouco ao moralismo barato. Pusherman mostra o traficante como um homem de negócios como outro qualquer, Little Child Runnin' Wild mostra o sofrimento das crianças dos guetos negros, Freddie's Dead, que foi sampleada pelos Racionais MC's em Mano na Porta do Bar, narra a morte do trafica boa-praça Freddie e a indiferença dos à sua volta, e a faixa-título é um verdadeiro clássico 70's.

Enfim, funk groove soul urbano da melhor qualidade

01 - Little Child Runnin' Wild
02 - Pusherman
03 - Freddie's Dead
04 - Junkie Chase
05 - Give Me Your Love (Love Theme)
06 - Eddie You Should Know Better
07 - No Thing On Me (Cocaine Song)
08 - Think
09 - Superfly

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Louis Armostrong - The Complete Hot Five and Hot Seven Recordings

Rapaz, esse negócio de fazer blog de música vicia. Aliás, música vicia. Música é bom demais. Então devemos sempre prestar homenagem aos grandes mestres desta nobre arte. E este belo e elegante rapaz negro posando pra foto aí em cima é um dos maiores entre os maiores. Louis Daniel Armostrong foi um dos criadores e talvez o maior embaixador do estilo de música que chamamos de JAZZ.

Louis nasceu na aurora do século XX, e não poderia ter nascido em outro lugar que não Nova Orleans. Ele sempre afirmou ter nascido em 4 de julho de 1900, data emblemática até demais, tanto que historiadores comprovaram que sua verdadeira data de nascimento é 4 de agosto de 1900. Neto de escravos, veio ao mundo numa família paupérrima. O pai se mandou pouco depois de seu nascimento, a sua mãe teve que se virar, vindo até a se prostituir. Louis viveu boa parte da infância com a avó, num dos bairros mais pobres de Nova Orleans. Começou a trabalhar com cinco anos, fazendo bicos como entregador de jornais e recolhendo comida descartada pelos restaurantes. Mas não deixou de ir à escola, e foi lá que entrou em contato com a música "creole" de Nova Orleans. Trabalhou também vendendo carvão nas ruas da histórica zona de meretrício de Storyville, nas docas da cidade. Os cabarés e casas de shows de Storyville foram o local de nascimento do jazz, e desde moleque Louis via os grandes músicos da época, como os lendários Joe "King" Oliver e Kid Ory, se apresentando.

Com onze anos aprendeu, de ouvido, a tocar corneta com King Oliver. Trabalhou na casa de uma família judia que tinha um comércio de ferro-velho e o tratava como filho. Louis sempre mencionou a gratidão à família Karnofsky, e usou um pingente com a Estrela de Davi até sua morte. Foi internado diversas vezes em um reformatório por delinquência na adolescência, e foi na banda do reformatório que desenvolveu sua natural habilidade com a corneta. Logo virou o líder da banda, que se apresentava regularmente nas ruas de Nova Orleans. E, rapidamente chamou a atenção dos músicos locais. Foi solto do reformatório aos 14 anos e começou a trabalhar em um cabaré de Storyville, carregando carvão de dia e tocando corneta a noite.

Também tocava frequentemente nas tradicionalíssimas bandas de rua de Nova Orleans, e escutava os grande músicos da época sempre que podia. King Oliver virou seu mentor. Começou a excursionar com a banda de Fate Marable, que tocava em um dos famosos barcos a vapor que subiam e desciam o Rio Mississipi. Ele considerava essa época tocando no Mississipi como sua "Universidade". Em 1918 King Oliver partiu rumo ao norte dos Estados Unidos, e Louis ficou com seu lugar como trompetista da banda liderada por Kid Ory. Continuou se apresentando nos barcos a vapor, e amadureceu seu talento nato, aprendendo a ler as partituras. Em 1922 aceitou o convite de Oliver e partir para Chicago, como milhões de negros norte-americanos que nos anos 20 migraram da pobreza do sul para trabalhar na pujante indústria do norte dos EUA.

A banda de King Oliver era a mais famosa banda de Jazz de Chicago, e Chicago era o centro do jazz nos Estados Unidos, com Nova York em segundo lugar. Pela primeira vez Louis viveu com conforto, morando num belo apartamento e tocando em locais refinados. Realizou suas primeiras gravações nos selos Okeh e Gannett, quando os discos de jazz começavam a circular pelo país. Mas logo saiu da banda de Oliver, atendendo os anseios de sua esposa, a pianista Lil Harding Armstrong, que ansiava para que marido tivesse mais destaque. Foi para Nova York e tocou em diversas bandas importantes, como a de Fletcher Henderson, a principal banda só de negros da época. Marido e mulher tocavam também peças clássicas nas Igrejas para desenvolver ainda mais seus dotes musicais. Ainda acompanhou cantoras de blues como a lendária Bessie Smith.

Em 1925 retornou para Chicago, desta vez para ser líder de banda, e foi neste ano que começou a gravar as históricas sessões com o grupo Hot Five, formado para acompanhá-lo. Os Hot Five tinham a esposa Lil no piano, o velho companheiro Kid Ory no Trombone, Johnny Dodds no clarinete e Johnny St. Cyr no banjo. Armstrong era o líder, mas era um chefe tão legal que os outros músicos se sentiam totalmente a vontade. Em 1925 gravaram clássicos absolutos como "Potato Head Blues", "West End Blues", "Cornet Chop Suey" e "Muggles", apelido para a maconha, erva da qual o bom e velho Louis era grande apreciador. "Em "Heebie Jeebies", Louis com todo seu talento para a improvisação inventava o "scat singing" tornando para sempre famosa sua voz inconfundível. Para as sessões com o Hot Seven entraram o baterista Baby Dodds, irmão de Johhny, e Pete Briggs na tuba. Os compactos de 78 rotações que resultaram dessas gravações históricas fizeram enorme sucesso e tornaram Louis Armostrong o mais famoso jazzista de todos os tempos. E o resto é História...

Bem, já falei demais. O fato é que todas as músicas gravadas na época, inclusive em versões alternativas, foram reunidas num verdadeiro trabalho arqueológico em coleções particulares e nas coleções do Instituto Smithsonian, digitalizadas dos originais de 78 RPM e remasterizadas, e aparecem nesta box-set com quatro CDs, e vocês podem pegar tudo aqui! Vai lá que o negócio é fino.

Louis Armostrong. The Complete Hot Five and Hot Five Recordings

Track Listing (Disc 1): Gut Bucket Blues; My Heart; Yes I'm In The Barrel; Come Back Sweet Papa; Georgia Grind; Heebie Jeebies; Cornet Chop Suey; Oriental Strut; Your Next; Muskrat Ramble; Don't Forget To Mess Around; I'm Gonna Gitcha; Droppin' Shucks; Who'zit; King Of The Zulus; Big Fat Mama And Skinny Pa; Lonesome Blues; Sweet Little Papa; Jazz Lips; Skid-Dat-De-Dat; Sunset Cafetomp; You Made Me Love You; Irish Black Bottom. (Total Time: 68:35).

Track Listing (Disc 2): Put'em Down Blues; Ory's Creole Trombone; The Last Time; Struttin' With Some Barbecue; Got No Blues; Once In Awhile; I'm Not Rough; Hotter Than That; Savoy Blues; He Likes It Slow; Gambler's Dream; Sunshine Baby; Adam And Eve Had The Blues; Put It Where I Can Get It; Wash Woman Blues; I've Stopped My Man; Georgia Bo Bo; Drop That Sack; Drop That Sack; Cornet Chop Suey. (Total Time: 61:27).

Track Listing (Disc 3): Willie The Weeper; Wild Man Blues; Alligator Crawl; Potato Head Blues; Melancholy Blues; Weary Blues; Gully Low Blues; That's When I'll Come Back To You; Chicago Breakdown; Weary Blues; New Orleans Stomp; Wild Man Blues; Wild man Blues; Melancholy Blues; Melancholy Blues; You're A Real Sweetheart; Too Busy; Was It A Dream; Last Night I Dreamed I Kissed You. (Total Time: 68:20).

Track Listing (Disc 4): Fireworks; Skip The Gutter; A Monday Date; Don't Jive Me; West End Blues; Sugar Foot Strut; Two Deuces; Squeeze Me; Knee Drops; No (No, Papa, No); Basin Street Blues; No One Else But You; Beau Koo Jack; Save It, Pretty Mama; Muggles; Hear Me Talking To You; St. James Infirmary; Tight Like This. (Total Time: 73:53).

Ouveaê!!!
Senha pra descompactar o arquivo: flipyourwig

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Jackson do Pandeiro - Sua Majestade - O Rei do Ritmo (1960)

Depois de uma leva de posts de discos gringos, nada mais justo que colocar aqui um disco emblemático de um dos maiores e mais influentes músicos da História da Música Popular Brasileira.

José Gomes Filho nasceu na pequena cidade de Alagoa Grande, interior da Paraíba, em 31 de agosto de 1919, em uma família de artistas populares. Sua mãe, Flora Mourão, era cantora e folclorista de Pastoril. Ganhou o apelido de Jack, e depois Jackson, ainda menino, por sua semelhança com um ator de filmes mudos de faroeste que eram sucesso no cinema da cidade. Começou a tocar zabumba acompanhando a mãe nas tradicionais feiras que percorriam o interior do nordeste, mas logo sua perícia com o pandeiro lhe rendeu o sobrenome artístico. Além de instrumentista e ritmista, Jackson compunha e cantava, com uma voz inconfúndivel.

O grande mérito de Jackson do Pandeiro foi conseguir traduzir toda a riqueza dos ritmos típicos nordestinos, do Forró ao Samba de Coco, para o grande público do resto do Brasil, a partir de 1953, quando se apresentou pela primeira vez no rádio. Nisso rivaliza com o grande Luiz Gonzaga o posto de principal divulgador do forró, mas muitos afirmam que enquanto Gonzagão apenas divulgou os ritmos que já conhecia, Jackson era um criador, expandindo os limites dos ritmos nordestinos.

Jackson se fixou no Rio de Janeiro, foi contratado pela então toda-poderosa Rádio Nacional e gravou diversos compactos. Boa parte de seus sucessos, como a lindíssima "Canto da Ema", cantada por Gilberto Gil em Expresso 2222, "Sebastiana", "Forró em Caruaru" "1X1", "Coco de Improviso" e a impagável "Xote de Copacabana", foram reunidas neste LP lançado em 1960 pela gravadora Copacabana Discos. Dos grandes sucessos do Rei do Ritmo só ficou de fora a clássica "Chiclete com Banana", onde o Bebop entrava na misturada de Jackson do Pandeiro. Mas pra vocês não ficarem tristes, vai também um vídeo do mestre explicando a origem do apelido e mandando Chiclete com Banana ao vivo.


e depois do aperitivo, segue o prato principal:

Jackson do Pandeiro - Sua Majestade - O Rei do Ritmo (1960)

01 - Forró em Caruaru
02 - Cabo Tenório
03 - O Canto da Ema
04 - Sebastiana
05 - Cremilda
06 - Coco de Improviso
07 - Xote de Copacabana
08 - A Mulher do Aníbal
09 - 1X1
10 - Coco Social
11 - Falsa Patroa
12 - O Crime Não Compensa

sábado, 2 de janeiro de 2010

Mission of Burma


Feliz ano novo, fiéis ouvintes do Ouveaê! Para começar 2010 com o pé-direito, vou postar os dois discos clássicos dessa excelente banda de Boston, Massachussets, formada no longínquo ano de 1979, no bojo da revolução punk. Como os já aqui citados Television, o Mission of Burma tinha a atitude punk, mas não acreditava nesse negócio de que pra ser punk tem que tocar mal. Assim, com suas músicas ao mesmo tempo barulhentas e ricas em melodia, o Mission é creditado como uma das principais bandas do post-punk e um dos pais do Indie Rock norteamericano.

A sonoridade do Mission of Burma estava centrada na guitarra feroz de Roger Miller, amparada no baixo de Clint Conley e a bateria de Peter Prescott. Influenciados por gente como The Stooges e Velvet Underground, o Mission definitavemente não era uma banda Punk qualquer. Contribuía para isso o fato deles gravarem num dos melhores estúdios de Boston, longe da tosqueira típica das gravações de bandas punks.

Em 1981 lançaram o sensacional single Academy Fight Song, e logo depois o primeiro EP, Signals, Calls and Marches.

Mission of Burma - Signals, Calls and Marches (1981)


A faixa de abertura, 'Academy Fight Song', não estava incluída originalmente no EP, pois foi lançada como single. Mas nessa reedição não podia faltar, e é seguida da também ótima 'Max Ernst'. Outros destaques são a clássica 'That's When I Reach for My Revolver' e 'This is Not a Photograph'. Em comum as letras com referências artísticas e filosóficas, os vocais meio declamatórios, as inusitadas quebras no tempo das músicas e o ritmo alucinado.

01 - Academy Fight Song
02 - Max Ernst
03 - Devotion
04 - Execution
05 - That's When I Reach For My Revolver
06 - Outlaw
07 - Fame And Fortune
08 - This Is Not a Photograph
09 - Red
10 - All World Cowboy Romance


Logo depois os Missions lançaram o primeiro (que seria seu único) álbum:

Mission of Burma - Vs. (1982)


Vs. é estranhamente menos pop e mais experimental que Signals, Calls and Marches, com menos riffs e refrões pegajosos, mas é uma bela coleção de caos sonoro, com destaque para a porrada 'That's How I Escaped my certain Fate' e as ótimas 'Einstein's Day' e 'The Ballad of Johnny Burma'.

01 - Secrets
02 - Trains
03 - Trem Two
04 - New Nails
05 - Dead Pool
06 - Learn How
07 - Mica
08 - Wheaterbox
09 - The Ballad of Johnny Burma
10- Einstein's Day
11 - Fun World
12 - That's How I Escaped My Certain Fate
13 - Laugh The World Away
14 - Forget
15 - Progress
16 - OK No Way


A banda acabaria logo depois, por um motivo deveras pitoresco. AS apresentações ao vivo do Mission eram conhecidas por ser das mais barulhentas possíveis. Isso fez com que o guitarrista Roger Miller começasse a perder a audição. Assim, antes de ficar surdo de vez ele pediu pra sair, e a banda sem ele não fazia sentido. Uma amostra da porradaria ao vivo do Mission pode ser sentida no disco ao vivo 'The Horrible Truth About Burma', lançado em 1985, com músicas da turnê de despedida.

Mission of Burma - The Horrible Truth About Burma (1985)



A banda inesperadamente voltou a se reunir em 2002, e em 2004 lançaram um novo disco, bem bom aliás, OnOffOn, e desde então tem excursionado e lançou mais dois discos. Mas não achei o link dos novos discos, então quem se interessar, se vira! heheheh...

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

The Zombies - Odessey and Oracle (1968)

Corria o ano de 1968 e o LSD inundava as mentes da galera. Essa banda inglesa, formada em 1961, já era conhecida pela sensacional balada psicodélica "She's Not There", de 1964, mas ainda eram uma 'One Hit Wonder'. Então produziram essa obra-prima, sonzeraça de primeira. Depois dos Beatles e dos Beach Boys, o Zombies foram o maior expoente do "Pop Barroco", música com belas harmonias vocais e e arranjos instrumentais evocando paisagens rurais, camponeses, essas coisas... No Âmago dessa sonoridade está o órgão de Rod Argent, fortemente influenciado pelo Jazz de Jimmy Smith e companhia bela, e os vocais sussurrados de Colin Blunstone. Faixas como 'Care of Cell 44', 'Cheanges', This will be our year', 'Beechwood Park' e a sensacional 'Time of the Season' transpiram climas ensolarados psicodélicos. Boa pedida pra esse fim de ano de sol e calor tropical.

Dado curioso: Quando foi lançado, "Odessey and Oracle" foi praticamente ignorado pelo público e crítica, e vendeu quase nada. A banda não aguentou a barra e se separou logo depois. Apenas dois anos depois 'Time of the Season' começou a tocar em rádios e chegou às paradas de sucesso, reacendendo o interesse pela banda.

The Zombies - Odessey and Oracle (1968)

01 - Care of Cell 44
02 - A Rose for Emily
03 - Maybe After He's Gone
04 - Beechwood Park
05 - Brief Candles
06 - Hung Up on a Dream
07 - Changes
08 - I Want Her, She Wants Me
09 - This Will Be Our Year
10 - Butcher's Tale (Western Front, 1914)
11 - Friends of Mine
12 - Time of the Season

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Charlie Parker and Dizzy Gillespie - Town Hall, New York City, June 22, 1945


Corria o ano de 1945 e esses dois sujeitos estavam inventando o Bebop quando rolou essa lendária temporada de shows na Prefeitura de Nova York. Em uma palavra: Histórico. Os masters gravados em acetato dessa sessão de 22 de junho de 45, ainda na ressaca do fim da 2ª Guerra Mundial, foram redescobertos em 2005 e ganharam essa edição remasterizada. Claro que a gravação da época não era grandes coisas, mas pensando positivo, isso também contribui para o clima antigo da parada.

Aqui o trompete de Dizzy e o sax de Bird estão respaldados pela batera de Max Roach, o sax tenor de Don Byas e o piano de Al Haig, fazendo clássicos do porte de 'Salt Peanuts', 'A Night in Tunisia', 'Groovin' High' e a faixa de abertura, simplesmente, 'Bebop'.

Dizzy Gillespie & Charlie Parker: Town Hall New York City - June 22, 1945


01 - Intro
02 - Bebop
03 - A Night in Tunisia
04 - Groovin' High
05 - Salt Peanuts
06 - Hot House
07 - Fifty Second Street Theme


quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Django Reinhardt with Stephane Grappelli and the Quintet - Hot Club Remastered (2009)

Jean Baptiste Reihardt nasceu na Bélgica, em 1910. Mas era cigano, de família cigana, então não dá pra dizer que ele era belga, nem francês, embora tivesse vivido a maior parte da vida na França. Em contato com a riquíssima tradição musical cigana, aprendeu a tocar violino ainda cedo, e depois escolheu o violão como instrumento. O acampamento onde morava, nas proximidades de Paris, pegou fogo em 1928, e Django queimou a mão esquerda, o que não o impediu de continuar tocando, e o novo jeito que ele encontrou pra tocar é creditado por alguns críticos como marca do seu estilo inconfundível no dedilhado. Outra lenda diz que foi durante sua recuperação das queimaduras que ele entrou em contato com o jazz norte-americano, então uma novidade na Europa, ouvindo discos de Louis Armstrong.

Django tocava em cafés parisienses seu som gipsy, começando a sofrer a influência do jazz, quando Pierre Nourri, chefe do Hot Club de France, o primeiro clube de jazz europeu, propôs que ele se juntasse ao violinista Stephan Grapelli em uma banda de cordas. Assim nasceu o histórico Quintet of the Hot Club of France. As gravações da época foram remasterizadas e aparecem agora nessa compilação sensacional lançada recentemente.

Django ficou famoso, mas o espírito cigano seguia forte. Muitas vezes ele sumia e ia passear no campo, faltando a shows, entre outras peripécias. Para saber mais sobre a colorida vida de Django, recomendo o filme Sweet and Lowdown, de Woody Allen, uma semi-biografia com Sean Penn no papel de Django.

ERRATA: Falei merda, "Sweet and Lowdown" não é uma biografia de Django. O personagem vivido por Sean Penn é do violonista fictício Emmet Ray, obcecado por Django. O filme é feito como se Ray tivesse realmente existido, e suas peripécias com mulheres, bebedeiras e outras fanfarronices são livrementes baseadas na vida de Django. Aliás, o filme é bem legal, assistam!

Django Reinhardt with Stephane Grappelli and the Quintet - Hot Club Remastered (2009)

01.Dinah 02:34
02.Oh Lady Be Good 02:51
03.Blue Rag 02:54
04.Djangology 02:55
05.Swing Guitars 02:22
06.Sweet Chorus 02:42
07.Liebestraum 03:18
08.Tears 02:36
09.St Louis Blues 02:40
10.Minor Swing 03:12
11.Vipers Dream 03:13
12.Tea for Two 02:50
13.My Sweet 02:56
14.Daphnee 03:06
15.Stockholm 02:45
16.Hcq Strut 02:54
17.The Man I Love 03:09
18.Swing 39 03:14
19.Nuages 03:18
20.Sweet Sue 02:49
21.Manoir De Mes Reves 03:17
22.Echoes of France 02:45
23.September Song 03:16
24.Topsy 03:03
25.Lover Man 03:09

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Cafe Tacvba - Avalancha de Éxitos (1996)


Dando continuidade à toada latina, subimos um pouco mais para o norte, mas ainda abaixo do Río Grande (ou Río Bravo). A melhor banda de México que yo conozco chama-se Café Tacuba. A banda, que depois mudou o nome para Café Tacvba, é formada por quatro chilangos, como são conhecidos os habitantes da Cidade do México. Com uns 20 anos de estrada, são um ícone do rock mexicano. O álbum aqui postado chama-se Avalancha de Éxitos, de 1996, e como o próprio nome indica é uma coletânea de sucessos – dos outros. Explico: são oito covers de outros cantores hispanohablantes. Destaque pra Chilanga Banda, um rock-rap cantando inteiramente em chilangoñol, o “dialeto” callejero típico da cidade... vou colocar aqui só o refrão, quem souber a tradução ganha uma breja na cerca-frango! Suerte!

Pachucos, cholos y chundos,
Chinchinflas y malafachas
Aca los chompiras rifan
Y bailan tibiritabara


domingo, 13 de dezembro de 2009

Rebel Sounds Collection

ATENÇÃO!

Este post foi escrito por um iniciante na midia digital.

Dando continuidade à pequena resenha/homenagem/seleção de blogs musicais, apresentamo-lhes o Rebel Sounds. Blog de musica sul e centro-americana, europeia latina, e sei la mais o que. Não digo que seja musica latinoamericana porque acho que ela é muito mais afroindigena e mestiça do que latina - como toda nossa américa, aliás. Musica com pegada politico-libertária-legalista-ambientalista-socialista e por aí vailista. Ou não também, essa é apenas a minha interpretação do blog.

Enfim, já a muito tempo os caras hospedam de chico science a fabulosos cadilacs. Tendência rock-punk-ska-regional-afro-reggae-eletronico-rap (muito divertido tentar descrever esses conceitos...) e bossa nova. (brincadeira, bossa nova não).

Mas esse post é também uma homenagem ao Tropeço, que veio me perguntar da Colômbia. Justo a Colômbia, hahaha! Boa viagem maestro, aproveite!

A ver...

1- Los Gaiteros de San Jacinto - Un fuego de sangre pura



A Cumbia Colombiana é UNANIMIDADE CONTINENTAL. A história viva, sendo contada. As gaitas são como duas flautas, uma macho e outra femêa. Apaixonante. Esse é apenas um gostinho... tem mais coisa nesse blog Purayuca (mandioca pura). Saboreiem os tambores. A foto é dum disco mas o link é duma coletânea.

ouveae!


2- Sidestepper - More Grip



Mais musica colombiana. O que acontece quando um produtor inglês fica amigo dum grupo de cumbia contemporânea? More Grip é a resposta. Não se engane pelos nomes em ingles, a musica é caribenha pura.

  1. andando
  2. La Bara
  3. hoy tenemos
  4. bacalao salao
  5. linda manigua
  6. me muero
  7. chevere q chevere
  8. sidestepper
  9. campo
  10. tremendo_vacilon
Ouveae!

3. La Zurda - La Zurda

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Seguimos no Blog, música argentina agora. Também mestiça em todas as formas, mas essencialmente o encontro da musica regional argentina com o bom rockska. Disco de 2007. Enjoy.

01. Falopero
02. Santa Anita
03. El Mundo
04. Echale Semilla
05. Sonno Le Mie Cossa
06. Tafí Del Valle
07. Los Ejes De Mi Carreta
08. Andaré
09. Culebrón
10. Mimbre y Cafe
11. Frontera
12. Vidita

Ouveae!

4. The Roots of Chicha - Psychadelic Peruvian Cumbias from the 70's



Muita cumbia, teclados, guitarras e ayahuasca e poucas flautas andinas. Musica da selva amazônica do Peru. Y viva el oriente!

Ouveaê!

5 - Totó la Momposina - La candela viva



A voz feminina da cumbia. Também de altíssima qualidade. Já veio tocar em São Paulo e tudo!

Ouveae!


6 - Eduardo Mateo - "Mateo solo bien se lame" (1972)



Um violero trovador uruguaio, Eduardo Mateo tinha especial apreço pela musica brasileira da época, em especial a bossa nova. Como o post é homenagem ao maestro Tropesso, fica também um pedido né. Toca Mateo!

Ouveae!

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Nina Simone Sings the Blues (1967)


Ah, Nina... A moça era o blues e o soul encarnados. Esse disco de 1967 é um dos seus melhores registros, mas claro, tem muitos outros para explorar. Nesse link, você acha quase tudo de Miss Simone. Já nesse humilde Ouveaê ficamos com esse Sings the Blues, que o nome já entrega: é bluesera da melhor qualidade, com composições de George Gershwin, Bessie Smith e talvez a melhor versão do clássico "The House of the Rising Sun". Belo representante dos sons "to make love to your ol' lady".

Nina Simone Sings the Blues (1967)

01 - Do I Move You?
02 - Night and Day
03 - In The Dark
04 - Real Real
05 - My Man's Gone Now
06 - Backlash Blues
07 - I Want a Litte Sugar in My Bowl
08 - Buck
09 - Since I Fell for You
10 - The House of the Rising Sun
11 - Blues for Mama
12 - Do I Move You? (Version 2)
13 - Whatever I Am (You Made Me)

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Suba - São Paulo Confessions (1999)

O sérvio Mitar Subotic nasceu em 1961 na cidade de Novi Sadi, no que então era a Iugoslávia. Estudou música clássica e erudita e pesquisou a música folclórica tradicional sérvia. Foi um dos pioneiros na utilização da eletrônica na música em seu país natal. Em 1986 seu disco In the Mooncage, que misturava o folk sérvio com eletrônica, ganhou um prêmio da Unesco e Suba veio ao Brasil, com uma bolsa para estudar os ritmos afro-brasileiros. Se apaixonou pelo Brasil e se mudou definitivamente para cá em 1990, pouco antes de estourar a guerra civil na Iugoslávia, se estabelecendo em São Paulo. Produziu discos para Marina Lima, Edgard Scandurra (em seu projeto solo eletrônico Benzina), Bebel Gilberto, Edson Cordeiro, Arnaldo Antunes e muitos outros.

Em 1999 havia finalizado o álbum Tanto Tempo, de Bebel Gilberto, e este São Paulo Confessions, homenagem à cidade que escolheu para viver, também estava pronto. Um incêndio atingiu seu apartamento-estúdio e Suba morreu asfixiado pela fumaça, tentando salvar o material gravado com Bebel. Lançado poucas semanas após sua morte, São Paulo Confessions ficou também como uma homenagem ao próprio Suba. As músicas, em parcerias com nomes como a cantora Cibele, Arnaldo Antunes e João Parahyba, percussionista do Trio Mocotó, transpira 'paulistanidade'. É eletrônico e sambista, cosmopolita e local, evoca noites chuvosas e apartamentos do edifício Copan. Foi louvado pela crítica tanto aqui quanto no exterior, e com todos os méritos.

Nos dez anos da morte de Suba, vai rolar hoje um show-tributo no Sesc Pompéia: Suba Connections, com participação de muitos músicos que trabalharam com o sérvio-brazuca.

Suba - São Paulo Confessions (1999)

01 - Tantos Desejos – Suba – (Taciana & Suba) (4:27)

02 - Você Gosta – Suba – (Taciana, Marcelo Paiva & Suba) (4:20)

03 - Na Neblina – Suba – (Suba) (4:43)

04 - Segredo – Suba – (Katia B. & Suba) (4:03)

05 - Antropófagos – Suba – (Suba) (6:22)

06 - A Felicidade – Suba – (Tom Jobim & Vinicius de Moraes) (4:21)

07 - Um Dia Comum (Em São Paulo) – Suba – (Suba) (4:59)

08 - Sereia – Suba – (Béco, Cibele & Suba) (6:00)

09 - Samba Do Gringo Paulista – Suba – (Suba) (4:49)

10 - Abraço – Suba – (Arnaldo Antunes & Suba) (5:05)

11 - Pecados Da Madrugada – Suba – (Suba) (5:05)

12 - A Noite Sem Fim – Suba – (Suba) (7:02)

Ouveaê!