segunda-feira, 20 de junho de 2011

Viajando no trip hop com Portishead e Massive Attack

Mais um post temático, e mais um resgatando o Lado B da década de 90. Desta vez vamos viajar no Trip Hop, um dos subgêneros mais legais que as Ilhas Britânicas produziram na confusa última década do século 20. Legítimo produto do underground sombrio e chuvoso da Inglaterra, o trip hop é basicamente um hip hop mais lento, climático e eletrônico, com pitadas de dub e geralmente lânguidos vocais femininos. Portishead e Massive Attack são os nomes mais conhecidos, e jogo aqui os discos mais conhecidos de cada.

Portishead - Dummy (1994)


Blue Lines, lançado pelo Massive Attack em 1991, é considerado o marco zero do Trip Hop. Três anos depois, o Portishead, grupo da vocalista Beth Gibbons e dos magos dos sintetizadores Geoff Barrow e Adrian Utley adicionou acid house, cool jazz e um clima de trilha sonora à sonoridade dub e e beats de hip hop do primeiro disco do Massive Attack, e criou uma pequena joia de músicas repletas de atmosfera esfumaçada e sensual em seu disco de estreia. A música mais conhecida é Glory Box, que por uma dessas coincidências cósmicas usa o mesmo sample (Ike's Rap, do Isaac Hayes) que 'Jorge da Capadócia', primeira faixa do clássico 'Sobrevivendo no Inferno', dos Racionais MC's. Outros destaques são 'Sour Times' e 'Numb', mas as 11 faixas formam um conjunto harmônico que faz desse disco um dos melhores e mais influentes dos nineties.

Faixas: 
01- Mysterions
02 - Sour Times
03 - Strangers
04 - It Could Be Sweet
05 - Wandering Star
06 - It's a Fire
07 - Numb
08 - Roads
09 - Pedestal
10 - Biscuit
11 - Glory Box

Ouveaê!

Massive Attack - Mezzanine (1998)


O Massive Attack é o grupo decano da onda Trip Hop, mas seu MAGNUM OPUS veio 'apenas' em 1998. A história do trio formado por MUSHROOM, DADDY G E 3D, remonta a 1983, quando surgiu o Wild Bunch, coletivo de DJs pioneiro em mesclar Punk Rock, Reggae, e R&B que com formação mutante que incluiu ainda TRICKY, fez história na cena noturna da soturna cudade de Bristol, no sul da Inglaterra. 

O Massive Attack mesmo começou em 1987, e em 1991 lançaram o marco 'Blue Lines'. Em 1998 já eram muito conhecidos e respeitados e ganhando bastante dinheiro, mas uma certa TENSÃO pairava entre os três em relação aos rumos do trio. O segundo disco, 'Protection', tinha sido um sucesso com um som jazzy e sofisticado, perfeita trilha para comerciais e ambientes COOL em geral. 3D e Daddy G recrutaram o produtor Neil Davidge, querendo dar outro rumo ao som da banda. Mushroom estava descontente e acabou saindo do grupo logo depois. O resultado desta tensãofoi um disco que, além de uma impressionante coleção de samples, traz uma guitarreira post rock APOCALÍPTICA que deusnoslivre, principalmente na faixa de abertura, 'Angel', com vocais do colaborador habitual Horace Andy . Mas quem dá o tom SOMBRIO do disco é mesmo o vocal de Elizabeth Frazer, do Coclteau Twins, que canta em 'Teardrop', maior hit do disco. 'Inertia Creeps' traz um sabor oriental, e 'Black Milk' transpira sexualidade. Mas a faixa-título 'Mezzanine' é a que melhor EPITOMIZA o espírito do álbum

Faixas: 

01 - Angel
02 - Ringson
03  Teardrop
04 - Inertia Creeps
05 - Exchange
06 - Dissolved Girl
07 - Man Next Door
08 - Black Milk
09 - Mezzanine
10 - Group Four
11 - (Exchange)


segunda-feira, 6 de junho de 2011

Um trio do barulho: Bowie, Pop e Reed

Eu queria ser o carta que tá atrás dessa foto aí, ele parece estar se divertindo. Afinal, tá junto de três dos caras mais insanamente fodas que a música viu nestas últimas quatro décadas. Tudo desde então dentro do espectro do rock and roll levado à sério (no bom sentido) deve muito a David Bowie, Iggy Pop e Lou Reed. Esse trio deve ter feito umas baladas bem sem noção durante a década de 70, enquanto produziam seus melhores e mais experimentais trabalhos, que deram o tom dark/glam dos anos pós-hippies, e destoaram da papagaiada progressiva/grandiloquente que dominava o rock na época. 

Os três trabalharam juntos muitas vezes, principalmente Bowie e Iggy na lendária BERLIN ERA, onde os dois jovens mandaram ver na HEROÍNA e no EXPERIMENTALISMO. Desta época são os revolucionários The Idiot, do ex-Stooge, e Low, do ex-Ziggy Stardust. Ambos são de 1977, com o punk já como uma realidade, mas tem no experimentalismo proto-eletrônico e melodias dissonantes sua característica principal . 

O Berlin de Lou Reed veio um pouco antes, em 1973, afinal ele é um pouco mais velho e desbravou território antes do inglês Bowie e do nativo de MICHIGAN Iggy. Mas a ópera rock sobre um casal drogado é meio mala na real, então fiquei com o FUNDAMENTAL 'Transformer', feito um ano antes. Vamos ver se esse post terá problemas com o pessoal das GRAVADORAS!

Lou Reed - Transformer (1972)

O que dizer de 'Transformer'? Segundo disco solo de Reed pós Velvet Underground (primeiro só com material pós Velvet), tem só 'Walk on the Wild Side', além de abrir com 'Vicious e ter 'Sattelite of Love', 'Perfect Day' e outras pepitas. A situação tensa de Nova York no início dos anos 70, com drogas e putaria pesada, e as referências aos travecos, fizeram desse disco um marco. Foi produzido por um Bowie em plena fase andrógina Ziggy Stardust, e pelo guitarrista Mick Ronson, dos Spiders from Mars. 

Lado A: 
01 - Vicious 
02 - Andy's Chest
03 - Perfect Day
04 - Hanging Around 
05 - Walk on the Wild Side

Lado B:
06 - Make Up
07 - Satellite of Love
08 - Wagon Wheel
09 - New York Telephone Conversation
10 - I Am So Free
11 - Goodnight Ladies


Iggy Pop - The Idiot (1977)


Em 1976 a IGUANA Iggy Pop estava tentando sair do vício pesado e se instalou em Berlin. Os Stooges já eram, e o amigo David Bowie também estava instalado na cidade alemã (numa época com o Muro de Berlin lá e uma cena musical/cultural MUTHOLOCA que envolvia o experimentalismo eletrônico de Neu, Can e Kraftwerk). Bowie então produziu esse álbum emblemático de Iggy, experimental na veia, com uma mistura from hell de Kraftwerk e James Brown (!!!) em faixas como 'Nightclubbing' e a clássica 'China Girl', composta por Bowie. 

Lado A: 
01 - Sister Midnight
02 - Nightclubbing 
03 - Funtime
04 - Baby
05 - China Girl

Lado B:
06 - Dum Dum Boys
07 - Tiny Girls
08 - Mass Production 


David Bowie - Low (1977)


O terceiro elemento dessa fase experimental e ambient de Iggy e Bowie foi o grande BRIAN ENO, que colaborou com Bowie e Tony Visconti na produção essa obra prima que dá início à 'Trilogia de Berlin' do nosso CAMALEÃO. O sintetizador de Eno é fundamental nas faixas climáticas e densas de 'Low' separado em um lado A com canções mais convencionais e o lado B com temas instrumentais e viajeira forte. A faixa mais conhecida 'Sound and Vision', cria o clima mas não o resolve, mostrando que a estrutura de 'Low' não é nada fácil de assimilar. Mas se você mergulhar fundo na depressão gélida e viciada de Bowie naqueles tempos de Berlin, a viagem é garantida.

Lado A:
01 - Speed of Life
02 - Braking Glass
03 - What in the World
04 - Sound and Vision
05 - Always Crashing in the Same Car
06 - Be My Wife
07 - A New Career in a New Town

Lado B
08 - Warszawa
09 - Art Decade
10 - Sleeping Wall
11 - Subterranean

Ouveaê!

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Funky Kingston - Reggae Dancefloor Grooves [1968-1974]


Continua a nobre missão de lembrar pra galera que o reggae vai além do nosso ROBERT NESTA MARLEY. Essa coletânea matadora que resgata os sons mais GROOVEADOS de Kingston entre 1968-1974 traz um reggae diferente do que a gente tá aconstumado a ouvir, menos pegado na milonga rastafari, animado e cheio de groove e referências ao mais puro FUNK americano da época, é alegria pura em suas 20 faixas, que abrem e encerram com o grande Toots and the Maytals. Tem Lee Scratch Perry e versões de clássicos funk como Mr. Big Suff (Sister Big Stuff) e Papa Was a Rolling Stone, além de Na Na Hey Hey, que virou samba rock. E até tem uma de Bob e seus Wailers, s delícia 'Soul Almighty'. Mais um dos discos pra por quando aquele seu amigo rastafraude quiser ouvir um reggae do bom!

Funky Kingston - Reggae Dancefloor Grooves [1968-1974]

01 - Toots & The Maytals - Funky Kingston
02 - Zap Pow - Soul Revival
03 - Tomorrow's Children - Sister Big Stuff
04 - The Chosen Few - Reggae Stuff (Funky Stuff)
05 - 
Lloyd Charmers & The Hippy Boys - Look-Ka-Py-Py
06 - Jay Boys - Splendour Splash
07 - The Pioneers - Na Na Hey Hey (Kiss Him Goodbye)
08 - Ken Boothe - Is It Because Im Black
09 - Phyllis Dillon - Woman Of The Ghetto
10- Lee Perry & The Upsetters - Jungle Lion
11- A Darker Shade Of Black - Ball Of Confusion
12 - Carl Dawkins & The Wailers - Cloud Nine
13 - The Pioneers - Papa Was A Rolling Stone
14 - Tomorrow's Children - War
15 - Lloyd Parks - Stop The War Now
16 - Bob Marley & The Wailers - Soul Almighty
17 - Lloyd Charmers - Shaft
18 - Lloyd Williams - Funky Beat
19 - The Chosen Few - Do Your Thing
20 - Toots & The Maytals - Funky Funky



Ouveaê!

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Talking Heads - Remain in Light (1980)


Talking Heads, tá aí uma grande banda que demorou para aparecer por aqui! Atitude punk, mas com profundidade, é o melhor dos mundos, vide o Television ou o Dead Kennedys. E o grupo de David Byrne, Jerry Harrison, Tina Heymouth e Chris Franz são a epítome do conceito 'punks de escola de arte', afinal se conheceram (menos Harrison, que era dos Modern Lovers) na Rhode Island School of Design, ainda no começo dos anos 70. Em meados da década, instalados em Nova York, começaram a exercitar suas nada convencionais idéias musicais e caíram muito bem na nascente cena punk centrada no mítico CBGB's, onde abriram shows para os Ramones. As letras e os vocais GEEKY de Byrne (muito antes dos geeks virarem moda) e o instrumental minimalista e vanguardista colocaram os Heads ao lado do Television na vertente 'art-punk'.

Seu primeiro disco, lançado em 1977 e intitulado simplesmente '77' tinha a genial 'Psycho Killer'. A entrada em cena do não menos mítico produtor BRIAN ENO a partir do segundo disco, More Songs About Buildings and Food' começou a inexorável guinada da banda para uma certa new wave 'séria' e que passou a incorporar experimentalismos e ritmos dissonantes, comelando também a busca de Byrne por ritmos exóticos, principalmente africanos. E o ápice dessa parceria sem dúvida é este Remain in Light, lançado em 1980, que superou o já altíssimo nível do anterior 'Fear of Music'.

Byrne, compositor e principal das cabeças pensantes da banda, deu mais trabalho para os outros músicos, inclusive muitos convidados, em sua tentativa de reinterpretar por sua mente de punk novaiorquino ritmos e lendas africanas. Eno deixou sua marca no impecável amálgama do art rock new wave, com ecos de Velvet Underground, aos ritmos quebrados e à espiritualidade afro, com um pronunciado groove funk. Difícil entender, né? Então o negócio é ouvir! A primeira faixa, Born Under Punches (The Heat Goes On) já mostra a que veio, com uma linha rítmica hipnótica, o vocal peculiar de Byrne e barulhinhos legais. O resto é só deleite. A música mais conhecida, 'Once in a Lifetime', tem uma percussão polirítmica from hell e um tecladinho espacial que faz a voz de Byrne fluir como água. O resto mantém o nível. Todos os oito discos lançados pelos Heads entre 1977 e 1985 são excelentes, mas esse aqui é o creme do creme!

Se liga no clipe de 'Once in a Lifetime'


e cai de cabeça no disco completo!

Talking Heads - Remain in Light (1980)

01 - Born Under Punches (The Heat Goes On)
02 - Crosseyed and Painless
03 - Houses in Motion
04 - Listening Wild
05 - Once in a Lifetime
06 - Seen and Not Seen
07 - The Great Curve
08 - The Overload

Ouveaê!

terça-feira, 17 de maio de 2011

Pink Flamingos Soundtrack


Bom Gosto Trash

Pink Flamingos é um clássico trash do diretor John Waters, lançado em 1972. Seu subtítulo é "Um exercício em mau gosto". O filme conta a trajetória da traveca Divine tentando manter seu posto de Pessoa Mais Obscena do Mundo. Tudo isso vem embalado nessa trilha sonora de Rock'n'Roll velhão e Rhythm and Blues. A pegada geral é primitivista e divertida.

01. Link Wray & His Ray Men - The Swag
02. The Centurions - Intoxica
03. Lavern Baker - Jim Dandy
04. Frankie Lymon And The Teenagers - I'm Not A Juvenile Delinquent
05. Little Richard - The Girl Can't Help It
06. Bill Haley & His Comets - Ooh! Look-A There, Ain't She Pretty
07. Nite Hawks - Chicken Grabber
08. The Tune Weavers - Happy, Happy Birthday Baby
09. The Tyrones - Pink Champagne
10. The Trashmen - Surfin' Bird
11. The Robins - Riot In Cell Block #9
12. Patti Page - (How Much Is) That Doggie In The Window

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Só o Hardcore salva!


Tem horas em que você acha que esse mundo materialista-narcisista-militarista não tem jeito, que tudo é uma merda e tudo o que você sente é tédio e raiva, e você quer apenas destruir tudo. Muito provavelmente você sentiu isso quando tinha lá seus 13, 14, 15 anos, e nessa época, meu amigo, tudo o que você tem como aliado nessa luta inglória é música baraulhenta e raivosa, para acompanhar seus sentimentos. E se você foi adolescente dos anos 80 pra cá, o que provavelmente você ouvia nesses momentos de fúria era o bom e velho HARDCORE.

O termo hardcore surgiu ali pela virada dos anos 70 para os 80, na Califórnia. Os EUA criaram o rock and roll, e não foi por acaso. Nos anos 50, eles haviam criado a instituição que geraria o rock: a adolescência. Sim, até então ou você era criança ou era um jovem que já podia se alistar no Exército e lutar e morrer pelo seu país. E a adolescência surgiu como um nicho de mercado, numa época de prosperidade econômica e famílias mais liberais, no pós-Segunda Guerra Mundial. A molecada com hormônios em fúria começou a ter dinheiro no bolso, para ir no cinema, tomar milk-shake e comprar discos. Então surgiu o rock and roll. Porque os anos 50 foram também uma época de conformismo, caretice e medo, medo do comunismo, da ameaça nuclear... E a molecada com os hormônios em fúria começou a se rebelar contra o tédio e o medo, eles queriam viver, viver ao máximo, e a música barulhenta fazia parte disso tudo.

A história vocês conhecem, o rock foi devidamente enquadrado e domesticado pelo capitalismo, e nos anos 70 não representava mais nenhuma ameaça, até que, 20 anos depois da explosão inicial, uma nova explosão resetou tudo com três acordes e muito barulho: Era o Punk Rock. Que começou nos EUA, com pioneiros como Stooges e MC5, mas se consolidando apenas com uns certos Ramones. Na Inglaterra, o espertalhão Malcolm McLaren manufaturou uma banda punk chamada Sex Pistols, e muitos moleques, com os Ramones como exemplo, montaram suas próprias bandas, entre eles o The Clash, a mais política dentre elas.

De volta aos EUA, os Ramones continuavam soltando um disco clássico atrás do outro, a vertente mais pop-colorida do punk desembocava na New Wave, e os moleques mais maloqueiros e revoltados inventaram o tal do hardcore. A receita era simples: tocar mais rápido, mais barulhento e mais pesado, berrar mais alto no microfone, e fazer tudo eles mesmos. Assim, esses moleques salvaram o Rock and Roll e salvaram o mundo da monotonia total por mais duas décadas, criando as bases para tudo o que se convencionou chamar de 'rock alternativo'.

A cena hardcore começou festeira e incosequente, como era de se esperar de um bando de moleques punheteiros, mas logo foi se politizando e ganhando consistência. E três grupos lançaram, em três anos, os três discos fundamentais do estilo. Começando pela banda que injetou consciência política e refinamento sonoro (sem deixar o barulho de lado, claro) na mistura: os Dead Kennedys, do gênio Jello Biafra.

Dead Kennedys - Fresh Fruits for Rotten Vegetables (1980)


Sim, o que dizer do Jello e dos Dead Kennedys? André Barcinski já falou tudo em sua resenha de Fresh Fruits... para a discoteca básica da Bizz. Com o guitarrista East Bay Ray e o baixista Klaus Fluoride, Jello deu ao mundo essa obra prima de barulho, fúria e anarquia, com hinos do porte de Kill the Poor, Let's Lynch the Landlord, Drug Me, California Uber Alles e Holiday in Cambodia, apontando sua metralhadora giratória verbal para todas as formas de hipocrisia da sociedade americana. E musicalmente, o disco se mantém fiel aos mandamentos hardcore, porém com alguma sofisticação, graças principalmente à guitarra matadora de East Bay Ray. Rolam até uns solos, além de riffs memoráveis como o de Holiday in Cambodia, que com 4 minutos e meio era uma verdadeira peça sinfônica para os padrões hardcore. E ainda termina com uma versão matadora de 'Viva Las Vegas'! Fiel ao 'faça você mesmo', Jello e seus asseclas lançaram o disco pela sua própria gravadora, a Alternative Tentacles.

Faixas:
01 - Kill the Poor
02 - Forward to Dath
03 - When Ya Get Drafted
04 - Let's Lynch the Landlord
05 - Drug Me
06 - Your Emotions
07 - Chemical Warfare
08 - California Über Alles
09 - I Kill Children
10 - Stealing People's Mail
11 - Funland At The Beach
12 - Ill In The Head
13 - Holiday in Cambodia
14 - Viva Las Vegas

Ouveaê!

Ainda antes do Dead Kennedys, o Black Flag, cria de outro gênio, Greg Ginn, já agitava a Califórnia com seu barulho divertido e incosequente. Mas foi apenas com a adição de outro gênio, o vocalista e PROVOCADOR NATO Henry Rollins, eles conseguiram o seu lugar no panteão, em 1981.

Black Flag - Damaged (1981)




A ferocidade sem limites do vocal de Rollins foi o ingrediente que faltava, e Damaged, o primeiro LP do Black Flag, é uma obra-prima instantânea da fúria hardcore. Porradaria, barulheira, raiva, e sim, bom humor, percorrem todo o disco. As letras de Ginn tinham tudo que se esperava do melhor hardocore: o sentimento de tédio e alienação dos adolescentes, apenas amenizado por bebedeiras, televisão e música barulhenta. A faixa mais conhecida, a emblemática 'TV Party' resumia tudo. O restante das 15 faixas segue a toada, e Damaged talvez seja o disco mais representativo da cena. Lançado em cassete pela gloriosa SST Records, gravadora fundada por Ginn e que deu ao mundo bandas como Hüsker Dü, Sonic Youth, Minuteman e Meat Puppets.

Faixas:
01 - Rise Above
02 - Spray Paint
03 - Six Pack
04 - What I See
05 - TV Party
06 - Thristy and Miserable
07 - Police Story
08 - Gimme Gimme Gimme
09 - Depression
10 - Room 13
11 - Damaged II
12 - No More
13 - Padded Cell
14 - Life of Pain
15 - Damaged I

Ouveaê!

Bad Brains - Bad Brains (1982)





Mas a banda mais bizarra e original da cena hardcore do inicio dos 80s sem dúvida é o Bad Brains. Produto da mente doentia de quatro negões rastas de Washington, D.C: Dr. Know, H.R., Darryl Jennifer e Earl Huston, o Bad Brains fez a improvável ponte entre o mais puro hardcore e o reggae, com um ainda mais improvável tempero Jazz.

Lançado em 1982, também em cassete, pela lendária gravadora ROIR, o álbum de estreia dos Bad Brains é considerado por gente como Adam Yauch, dos Beatie Boys, o melhor álbum da história do hardcore americano. Dr. Know, guitarrista de jazz fusion, rasta fã de Bob Marley mas admirador da fúria punk, percebeu que os dois estilos tinham coisas em comum, chamou amigos músicos com idéias similares e montou a banda que começou a ganhar fãs e lendas com seus shows inacreditáveis. Gravaram alguns singles difíceis de achar, como Pay to Cum, e lançaram o cassete que virou objeto de desejo e reeditado em CD diversas vezes. Ali está toda a demência dos quatro rastas, com as pesadas e rápidas Sailin' On, Attitude e Banned in D.C. e, quem diria, reggaes com pitadas dub delícia como I Luv I Jah e Jah Calling. Eles construíram uma respeitada carreira com discos como I Against I, lançado em 1986 pela SST, e shows cheios de energia, e hoje estão merecidamente na santíssima trindade do hardcore ao lado do Black Flag e do Dead Kennedys.

Faixas:

1. Sailin' On
2. Don't Need It
3. Attitude
4. The Regulator
5. Banned in D.C.
6. Jah Calling
7. Supertouch/Shitfit
8. Leaving Babylon
9. F.V.K. (Fearless Vampire Killers)
10. I
11. Big Take Over
12. Pay to Cum
13. Right Brigade
14. I Luv I Jah
15. Intro
Ouveaê!

Estas são as três pedras fundamentais do hardcore, e tudo de bom que veio depois no rock americano, toda a linhagem alternativa/indie/grunge, o skacore, o trash metal, e sim, o tal hardcore melódico que descambou para o famigerado EMO, não existiriam sem essas três bandas que demarcaram o que os moleques entediados e revoltados deste mundo querem ouvir: Barulho, mas barulho com substância.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Squirrel Nut Zippers, a banda oficial da Cerca Frango

Mas como ainda não tinha Squirrel Nut Zippers nessa pocilga? Nem o Cróvis, o descobridor da banda e IDEALIZADOR deste blog, tinha colocado ainda... Bem, antes tarde do que nunca! Enfim, o Cróvis descobriu esse grupo de RETROSWING (sic) da valorosa cidade de Chapel Hill, North Carolina, com a faixa 'Hell', que fez parte da trilha sonora do filme 'Por Uma Vida Menos Ordinária', de Danny Boyle, cujo CD ele comprou em seu intercâmbio no mais puro MISSOURI.

Bem, o som do SNZ (não confundir com o trio de SARAH SHEEVA, NANA SHARA E ZABELÊ) é um tributo aquele sonzito que embalou muitas noitadas com álcool ilegal durante a lei seca dos anos 20 e que alguém (não lembro quem) considera MÚSICA DE DESENHO ANIMADO. Hot Jazz, gipsy e swing entram na mistura, com pitadas de CARIBE e LESTE EUROPEU. Ou seja, só alegria, tanto com as músicas mais SMOOTH cantadas pela maravilhosa Katherine Whalen quanto as mais animadas, verdadeiras músicas de bebedeira. Não é a toa que a discografia do Squirrel Nut Zippers era presença sonora da trilha de fundo da saudosa MARACANGALHA, principalmente nas noites de terça-feira. E a mais animada de todas, a RUSSA Ghost of Stephen Foster, virou um HIT ECANO nas festinhas de arromba da ECA de 2003 em diante.


Os Squirrels lançaram seis discos entre 1995 e 2000, quando entraram em HIATO. Voltaram apenas em 2007, com a história oficial de que haviam SE PERDIDO NO MAR, lançaram o disco ao vivo 'Lost at Sea' e seguem em turnê com shows animadíssimos que, se A GENTE QUISER, pode vir ao Brasil, porque não?

do catálogo do SNZ, dois discos se destacam:

Squirrel Nut Zippers - Hot (1998)



O segundo disco dos Squirrels tinha o hit 'Hell', a crássica 'Put a Lid on It' e a belíssima 'Blue Angel', com o vocal insado de Catherine Wheelen, entre outras pérolas, com letras bem humoradas e a levadinha swing impossível de não se gostar.

01 - Got My Own Thing Now
02 - Put a Lid on It
03 - Memphis Exorcism
04 - Twilight
05 - It Ain't You
06 - Prince Nez
07 - Hell
08 - Meant To Be
09 - Bad Businessman
10 - Flight of the Passing Fancy
11 - Blue Angel
12 - The Interlocutor

Ouveaê!

Squirrel Nut Zippers - Perennial Favorites (2000)


Além da supracitada 'Ghost of Stephen Foster' tem mais um punhado de ótimos e divertidos swings. Destaque para 'Suits are Picking Up the Bill', 'Fat Cats Keep Getting Fatter' e 'Evening at Lafite's. Os anos 20 devem ter sido realmente muito divertidos...

01 - Suits Are Picking Up the Bill
02 - Low Down Man
03 - Ghost of Stephen Foster
04 - Fallin' With Al
05 - Fat Cat Keeps Getting Fatter
06 - Trou Macacq
07 - My Drag
08 - Soon
09 - Evening at Lafite's
10 - The Kracken
11 - That Fascinating Thing
12 - It's Over

Ouveaê!

Os outros discos tem boas músicas mas são mais desiguais. E claro, pra ter um gostinho de como é um show dos figuras, deve-se ouvir o ao vivo 'Lost at Sea'.

Pior que eu ainda não ouvi! Vou baixar agora, e sugiro que vcs façam o mesmo...

01. Memphis Exorcism
02. Good Enough for Grandad
03. It Ain’t You
04. Prince Nez
05. Put a Lid on It
06. Fat Cat Keeps Getting Fatter
07. Danny Diamond
08. Suits Are Picking Up the Bill
09. My Drag
10. Happens All the Time
11. Bad Businessman
12. Hell
13. Ghost of Stephen Foster
14. You Are My Radio
15. Blue Angel
16. Do What
17. Missing Link Parade



Ouveaê!

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Jazz japonês é coisa muito séria


No último mês, o Japão ocupou as manchetes pela tragédia do terremoto seguido de tsunami e desastre nuclear. Completando um mês do terremoto, farei uma homenagem ao bravo povo nipônico através de um assunto inusitado: a insana cena jazz que se desenvolveu na terra do sol nascente entre as décadas de 60 e 70, exemplarmente garimpadas pelo sensacional blog ORGY IN RHYTHM (de quem respeitosamente surrupio os links.)

Após a Segunda Guerra Mundial, o trauma de Hiroshima e Nagasaki e a impensável rendição, o Japão se transformou. Ajudados financeiramente pelo ex-inimigo norte-americano, a economia do país explodiu a partir dos anos 50, e a influência cultural americana se disseminou na tradicional cultura nipônica. Entre as centenas de sub-culturas, algumas mutcholocas, que se desenvolveram no Japão do pós-guerra, o culto ao jazz é uma das mais duradouras. E, a partir dos anos 60, com o rock e o pop dominando a música americana, muitos jazzistas foram para a Europa e o Japão, onde o jazz ainda era consumido com ardor. E, com sua tão falada dedicação e disciplina, alguns japas começaram a tocar jazz e se tornaram mestres quase no mesmo nível dos americanos. O estilo desse jazz japa seventies é meio que uma continuação do que o jazz EUA fazia antes de cair no ostracismo no país natal: um POST HARD BOP MEETS AVANT GARDE, Free Jazz, Fusion, etc, e um subgênero que se tornou muito popular em terras nipônicas foi o jazz rock, releitura jazzy com tempero bossa-nova de sucessos do rock da época.

Um dos grandes jazzeiros japas é o saxofonista SADAO WATANABE, cujo Swiss Air, gravado ao vivo em Montreaux em  1975, eu já coloquei aqui. Então vamos explorar alguns outros, começando pelo monstruoso trompetista TERUMASA HINO.

Hino = Kikuchi Quintet (1968)


Aqui, nosso amiho Hino se junta ao pianista Massabuni Kikuchi para uma session de hard bop para levantar aquele proverbial defunto. Quebradeira! As quatro músicas compostas por Kikuchi soam como as obras primas modais do quinteto de Miles Davis nos anos 60. Arranjos, introduções e a sessão rítmica do quinteto formam a base perfeita para os vôos solo de Hino e Kikuchi. Coisa finíssima! Como de hábito nos posts do Orgy in Rhythm, o disco foi rpado do original em vinil na maior qualidade possível, 320 kbps. 

Faixas:
01 - Tender Passion
02 - Ideal Postrait
03 - Long Trip
04 - H.G. and Pretty


Mal Waldron - Terumasa Hino - Reminiscent Suite (1972)
Aqui é o americano Mal Waldron que assume o piano ao lado do nosso HINO, para duas longas e magistrais suites que ocupam cada uma um lado do vinil, que nunca foi relançado e é uma raridade, mesmo no Japão. O lado A, faixa-título, começa com a mão pesada (no melhor sentido possível) de Waldron debulhando o piano, e evolui com os impecáveis solos de Hino e do resto da banda com destaque para o sax tenor de Takao Uematsu, quebrando tudo e desconstruindo o tema até a música se tornar uma balada moody reflexiva, num total de 23 minutos de puro deleite sonoro. O lado B, Black Forest, começa com uam percussão from hell e flautinhas fritas, seguidas pelo piano de Waldron dando o tema, no compasso 6/8, até a entrada triunfal dos sopros de Hino e Uematsu, com solos inacreditavelmente belos. O resto da banda também aparece e faz seus solos nos mais de 18 minutos de sonzeira. Outra pepita!

Faixas:
01 - Reminiscent Suite
02 - Black Forest


Miyamoto, Naosuke Sextet (1973)


Mudando um pouco os personagem, temos outra pepita, esta perpretada pelo baixista Miyamoto e seu sexteto formado por Kunji Shigi (trompete e flugelhorn), Takashi Furya (sax alto), Takeshi Goto (sax soprano e tenor), Masayoshi Yaneda (piano) e Shoji Nakayama (bateria). Mais uma session do mais fino post hard bop modal. Todas as cinco faixas são matadoras, com destaque para a sublime homenagem a John Coltrane em 'One for Trane'. Já veterano da cena jazz japa, ativo desde o início dos anos 60, Miyamoto monstou esses sexteto com alguns bem jovens e outros mais velhos, mas todos excelentes, e deu ao mundo mais uma obra prima do jazz de olho puxado. 

Faixas: 
01 - Step Right Up to the Bottom
02 - One for Trane
03 - A New Shade of Blue
04 - Where Do They Go?
05 - Blues


Norio Maeda & Jiro Inagaki All-Stars - This is Jazz-Rock (1968)


Parte da série Ready-Made Jazz Rock da gravadora Columbia Japan, esse disco é um bom exemplo do tal jazz rock. Mais acessível do que as pirações post hard bop modais dos discos anteriores, This is Jazz Rock entrega o que promete: versões jazzy-bossa de clássicos do rock e do fusion. Quem lidera a brincadeira são Maeda (órgão Hammond) e Inagaki (sax tenor), acompanhados por trompete, guitarra, baixo, bateria e percussão. Versões de Watermelon Man (Herbie Hancock), House of the Rising Sun (The Animals), Day Tripper (Beatles) e Pata Pata (Mirian Makeba) proporcionam a alegria sonora. 

Faixas:
01 - Pata Pata
02 - Mercy, Mercy, Mercy 
03 - Day Tripper
04 - Snap Shot
05 - My Girl
06 - Boom Boom
07 - Watermelon Man
08 - Barock 
09 - House of the Rising Sun
10 - Go Go a Go Go
11 - Soil Finger
12 - Here, There and Everywhere


E por hoje é só! Arigatô, Sayonara!



segunda-feira, 4 de abril de 2011

Lula Côrtes e Zé Ramalho - Paêbirú (1975)


O pernambucano Lula Côrtes deixou esta Terra no último dia 26 de março, aos 61 anos. Ele será lembrado para sempre como o cérebro frito por trás de um dos discos mais lendários e enigmáticos da história da música brasileira, Paêbirú. Muito se escreveu sobre a lenda que cerca esse tratado psicodélico hippie nordestino. Com um jovem e ainda desconhecido Zé Ramalho e com uma mítica banda de apoio formada por Paulo Rafael, Robertinho de Recife, Geraldo Azevedo e Alceu Valença, entre outros, todos membros da mutcholoca cena psicodélica recifense de meados dos anos 70, o falecido Lula gravou este disco duplo entre outubro e dezembro de 1974, alimentado por diversos alteradores de consciência, pela gravadora Rozemblit. Ele já tinha no currículo o também altamente psicodélico Satwa, lançado um ano antes. 


Cada um dos quatro lados do álbum representava um elemento (terra, ar, fogo e água), e o conceito (sim, é um álbum conceitual) "conta a história da Pedra do Ingá, um monólito existente no interior da Paraíba que sinalizaria um caminho 'a pé pro Peru' (daí Paêbirú, na língua dos índios cariris), mais precisamente Machu Picchu, a cidade perdida dos Incas. (segundo Rodrigo de Andrade. Já para Fernando Rosa, o Senhor F., o Paêbirú do título significa 'caminho do sol' na língua inca. Bem, de qualquer forma vocês sentiram o drama: hippismo dos fortes. As músicas são psicodelia pesada, repletas de ensandecidas violas, guitarras, baixo pesado, muitos sopros (com destaque pras flautas, claro) e vocais inacreditáveis, "árabes", na definição do Sr. F. Enfim, viajeira forte. 


Mas a lenda do disco vai além. Originalmente foram prensadas 1000 cópias, mas uma enchente no depósito da gravadora, às margens do rio Capibaribe, levou embora a maioria, junto com as fitas master, e estima-se que apenas 300 cópias sobrevivem, nas mãos de colecionadores, que chegam a pedir R$ 5 mil reais por uma cópia. Selos gringos relançaram o bolachão, mas copiados de outros vinis, sem as masters, a qualidade de som não é das melhores. De qualquer forma, o rip em MP3 do mítico Paêbirú circula por aí, e não poderia faltar neste Ouveaê. 


O jornalista Cristiano Bastos foi ao interior da Paraíba conhecer a Pedra do Ingá e a lenda por trás do disco para uma matéria da Rolling Stone, e junto com Leonardo Bonfim, fez um documentário sobre a busca. Dá uma conferida no trailer:









e boa viagem com a fritação de Lula, Zé e os fritos pernambucanos:

Lula Côrtes e Zé Ramalho - Paêbirú (1975)



Terra
1. Trilha de Sumé
2. Culto a Terra
3. Bailado das Muscarias

Ar
4. Harpa dos Ares
5. Não Existe Molhado Igual ao Pranto
6. Omm

Fogo
7. Raga dos Raios
8. Nas Paredes da Pedra Encantada
9. Marácas de Fogo

Água
10. Louvação a Iemanjá
11. Regato da Montanha
12. Beira Mar
13. Pedra Templo Animal
14. Trilha de Sumé

(link devidamente surrupiado do obrigatório Brazilian Nuggets)

terça-feira, 29 de março de 2011

The Stone Roses - The Stone Roses (1989)


Voltando à fusão do indie rock com a eletrônica dançante que atingiu o ápice com o Screamadelica do Primal Scream em 1991, outro disco fundamental da tendência de juntar os roqueiros com os ravers na Inglaterra entre o final dos anos 80 e início dos 90 foi esse disco de estreia do grande Stone Roses. O grupo de Ian Brown, John Squire, Mani e Remi, oriundos da gloriosa MANCHESTER, inventou o que depois veio a se tornar o BRITPOP com os vocais preguiçosos, quase arrogantes, a guitarreira COOL e o ritmo hipnótico, influenciado pela dance music, do baixo de Mani e a guitarra de Remi.

Amigos de infância, Brown e Squire tiveram várias bandas quando moleques em Manchester, e formaram o Stone Roses em 1984. Nos próximos cinco anos eles labutaram no underground da cidade, e as influências roqueiras (Rolling Stones principalmente) do início foram se mesclando à influência da cena rave/acid house que florescia na Inglaterra na época, e às guitarras distorcidas de Jesus and Mary Chain e do Primal Scream do começo. O resultado foi o disco de estreia, uma obra-prima que começa com a climática 'I Wanna Be Adored', segue com a deliciosa 'She Bangs the Drums' e a não menos delícia 'Waterfall'. O resto segue a toada, com destaques para 'Made of Stone' e a catarse final com I am the Ressurrection'.

O disco foi devidamente incensado por público e crítica na Inglaterra e por descolados de todo o mundo, mas a consagração acabou sendo um tiro pela culatra para a banda, que acabou sendo um dos maiores exemplos da 'síndrome do segundo disco', junto com o My Bloody Valentine. Eles demoraram cinco anos para lançar o decepcionante 'Second Coming', em 1994, que tinha a ótima 'LoveSpreads' e só. Mani deixou a banda em 1995 e Squire no ano seguinte. Não houve um terceiro disco e a banda acabou oficialmente em 1996. A essa altura o britpop já havia explodido, com a guerra entre Oasis e Blur, que devem muito ao caminho aberto pelos Stone Roses.

The Stone Roses - The Stone Roses (1989)


01 - I Wanna Be Adored
02 - She Bangs the Drums
03 - Waterfall
04 - Don't Stop
05 - Bye Bye Badman
06 - Elizabeth My Dear
07 - (Song For) My Sugar Spun Sister
08 - Made of Stone
09 - Shoot You Down
10 - This is the One
11 - I am the Resurrection

Ouveaê!
(senha: hemissroad)

sexta-feira, 18 de março de 2011

Les McCann & Eddie Harris - Swiss Movement - Live at Montraux Jazz Festival (1969)


Em 1969 o pianista Les McCann e seu trio se juntaram ao grande sax tenor de Eddie Harris para uma apresentação no festival de jazz de Montreaux, na Suíça. E a MÁGICA aconteceu. A primeira música, Compared to What, de Gene McDaniels, se tornou um clássico instantâneo e hino do movimento pelos direitos civis, contra a guerra do Vietnã e dos jovens negros americanos dos anos 60. O resto da apresentação segue na pegada do jazz funk delícia, alegria pura, com destaque para Cold Duck Time. Lançado pela gravadora Atlantic, Swiss Movement foi um sucesso, o maior da carreira de McCann, mas hoje em dia não é tão fácil de achar. Mas o compañero Danielito Grilli achou um link em excelente qualidade e eu jogo aqui pra alegria geral da nação. Antes, um aperitivo, o vídeo de Compared to What.




e o prato principal...

Les McCann & Eddie Harris - Swiss Movement - Live at Montraux Jazz Festival (1969)


01 - Compared to What
02 - Cold Duck Time
03 - Kathleen's Theme
04 - You Got It In Your Soulness
05 - The Generation Gap

Ouveaê!

quarta-feira, 16 de março de 2011

Primal Scream - Screamadelica (1991)


Um dos discos que definiram a sonoridade da década de 90 está fazendo 20 anos com as devidas honrarias. Screamadelica, o álbum do Primal Scream que misturou indie rock, rock clássico a la Stones, eletrônica, grooves, gospel, dub e muita psicodelia e foi trilha sonora da geração Ecstasy, vai ganhar uma edição de luxo e será executado na íntegra ao vivo, um show com fortes chances de vir pro Brasil.

Mestre Camilo Rocha disseca o disco aqui. Não tenho mais muito a acrescentar, então ouveaê e boa viagem com Bobbie Gillespie e seus asseclas!

Primal Scream - Screamadelica (1991)


01 - Movin' on Up
02 - Slip Inside This House
03 - Don't Fight It, Feel It
04 - Higher Than The Sun
05 - Inner Flight
06 - Come Together
07 - Loaded
08 - Damaged
09 - I'm Coming Down
10 - Higher Than TheSun (A Dub Symphony in Two Parts)
11 - Shine Like Stars


Ouveaê!

quarta-feira, 2 de março de 2011

Herbie Mann and The Tommy McCook Band (1974)

Belo CD de reggae instrumental, Tommy McCook no sax em parceria com Herbie Mann, o flautista que já tocou com meio mundo - de Tom Jobim a Chick Corea. Só instrumental, muito improviso, inclusive do resto da banda que tb é duca.

Os fritos tocam My Girl (aquela mesma, do The Temptations) versão reggae durante DEZOITO MINUTOS. Achei um pouco cansativa pq a linha do baixo é exatamente a mesma o tempo todo, mas fora essa as músicas são bem sussa, viagem da boa.

Ouveae! (gracias a trupe do youandmeonajamboree pelo link)

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Various - Lagos Disco Inferno


Outra compilação feita pelo Frank do Voodoo Funk.  Vcs vão adorar!  Diversos artistas de Lagos, Nigeria

Alguns albuns usados na compilação:



Ouveae!

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Psychedelic Aliens (1971)




Os Aliens psicodélicos são uma banda de Funk Psicodélico de garagem de Gana que gravaram apenas 8 musicas durante seus 4 anos de existencia.  Um EP de 4 musicas em 70 e dois singles em 71.  O DJ, garimpador de discos e blogueiro de gabarito Frank do Voodoo Funk compilou esse LP.  Parece que tem uma série de 500 caixas com fotos e essa papagaiada toda saindo nos EUA.

Sonzeira de primeira, pra escutar e reescutar sem parar.  Talvez lembre um pouco Booker T, pode ser.  Pra quem gosta de Afrobeat, esse é um bom adendo.  E tem muita coisa pra vir desse garimpo.  Aproveitem e se gostarem, comentem!


To tomando gosto por essas postagens!

Ouveae!

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Marcos Valle - Previsão do Tempo 1973




Eventualmente reaparece aquela sensação de nostalgia ao escutar algum som  que nos remeta aos idos dos nossos tempos universitários, de descoberta e mais que tudo curtição.  Apesar de recente, essa época (para nós pós 2000) geralmente tem uma trilha sonora dos 70.  Foi assim com Jorge Ben, Novos Baianos e muitas outras pérolas que não cansam de chegar aos nossos ouvidos, com jeito de novidade, apesar de antigo.

Marcos Valle entra nesse grupo seleto de musicos que inovam e ficam para a eternidade.  Aqui acompanhado da banda Azymuth passando da fase bossa nova para a psicodélica.

Ouveae!

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Planet Hemp - Usuário (1995)


Qual foi o melhor disco brasileiro da década de 90?  Muitos diriam 'Da Lama ao Caos' ou 'Afrociberdelia' do Chico Science e Nação Zumbi, ou 'Sobrevivendo no Inferno', dos Racionais MC's. Mundo Livre S.A. Raimundos e até o Mamonas Assassinas, claro, constariam na lista dos Dez Mais. Mas pra mim, nenhum ganha do disco de estreia do Planet Hemp. O grupo de Marcelo D2, BNegão, Rafael, Formigão, Bacalhau e Zé Gonzalez havia gravado uma fita demo, ainda com Skunk, que morreu de Aids em 1994, e já faziam barulho no circuito dos festivais alternativos, mas a porrada provocada por usuário os transofrmaram em banda símbolo da mistureba boa do rock nacional em meados dos anos 90.

Raprockandrollpsicodeliahardcoreragga e um pouco de samba entravam na mistura, fazendo base para as letras 'tapa na cara' metendo o dedo na ferida da hipocrisia da sociedade brasileira. Claro, o tema do disco é a defesa consistente da legalização da maconha, nos hits Legalize Já, Mantenha o Respeito e Fazendo a Cabeça, mas também atacava a violência policial, em Porcos Fardados, mulheres fúteis (P... Disfarçada), racismo (Muthafuckin' Racists) e homenageava Skunk. O clipe de Legalize Já foi censurado, e as acusações de apologia às drogas levaram os integrantes do grupo a serem presos em Brasília. O Planet Hemp fez muito barulho, com shows que não raro acabavam com intervenção policial, e acabou em 2001 com crescentes divergências entre os membros. D2 partiu para uma bem-sucedida, mas muito menos transgressora, carreira solo, BNegão segue mandando bem com seus Seletores de Frequência e os outros instrumentistas se dividem em diversas bandas e projetos. Os outros dois discos de estúdio, Os Cães Ladram... de 1997, e A Invasão do Sagaz Homem Fumaça, de 2000, não tiveram o impacto de Usuário. Já é um clássico do rock brasileiro.

 Planet Hemp - Usuário (1995)


1. Não Compre, Plante!
2. Porcos Fardados
3. Legalize Já
4. Deis Daz Seis
5. Phunky Buddha
6. Mary Jane
7. Planet Hemp
8. Fazendo A Cabeça
9. Futuro Do País
10. Mantenha O Respeito
11. Puta Disfarçada
12. Speed Funk
13. Mutha Fuckin´ Racists
14. Dig Dig Dig (Hempa)
15. Skunk
16. A Culpa É De Quem?
17. Bala Perdida



Ouveaê!

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Radiohead - The King of Limbs (2011)


Não se fala de outra coisa. O Radiohead, a banda mais importante dos últimos 20 anos, lançou um disco novo. Eu ainda nem ouvi, tô baixando, mas já jogo aqui pra vossa apreciação! Vamo ver se mantém o nível dos anteriores.

Radiohead - The King of Limbs (2011)


01 - Bloom
02 - Morning Mr Magpie
03 - Little By Little
04 - Feral
05 - Lotus Flower
06 - Codex
07 - Give Up The Ghost
08 - Separator



Ouveaê!